Recado

Postado em July 20, 2007
Categoria Coisas |

Desejos cansados. Hoje, o da religião. Não houve nada em específico, acho só que a preguiça é nosso único caráter inato. Se Nietzsche soubesse de alguma coisa, diria que não sou um super-homem e jamais o poderei ser. Mas quem disse que quero! Nada mais de fundar a igreja e estou cansado do esquema de blog e não que eu vá parar com isso. É como a rosa doente, apaixonada pelo verme mas sem poder de o recusar (Cf. O espectro, do Bruno Tolentino). Releio os postados, entedio-me.  É sempre a mesma sen-si-bi-li-da-de, como diria Drummond. Mas haverá minha hora e vez! Diga se não.

Comentários

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16 Comentários »

Vinícius
2007-07-20 23:43:20

Sim.

 
Lorena
2007-07-22 16:43:13

Ligeira ressalva:

Em vez de “É como a rosa doente, apaixonada pelo verme mas sem poder de o recusar”, dizer “É como a rosa doente, apaixonada pelo verme e, logo, sem poder de o recusar.”

Pois, do primeiro modo, tem-se como pressuposto da condição de estar apaixonado a capacidade de recusar o objeto amado, o que não está de acordo com a realidade dos fatos.

Não riam, é assim mesmo.

Vinícius
2007-07-22 20:42:54

Mas a frase que Vossa Senhoria construiu com seus meios de construção, de modo idêntico (ou seja, perfeitamente igual à outra), também pressupõe por meio de seus implícitos que quem se apaixona, por estar apaixonado, logo, não pode recusar o apaixonante, que é o objeto pelo qual o apaixonante se apaixona, estando assim a sua correção altamente ineficaz em seu princípio ativo que é, assim posto, o de corrigir.

 
Rômulo
2007-07-22 23:35:27

Claro que existe a condição de estar apaixonado coincidindo com a capacidade de recusar o objeto amado. E se você amasse, hum, o homem que matou sua mãe? Hein? Hein?

 
 
2007-07-23 11:46:46

Lorena está certíssima.
As razões disso escapam aos critérios exclusivamente masculinos.

Vinícius
2007-07-23 16:16:06

May it be, mas prefiro a gramática, criada por homens ou não.

 
 
Lorena
2007-07-23 17:18:09

Vinícius: não entendeu minha colocação.

Rômulo: entendeu, contudo não compreende o cerne da condição amorosa, a qual, qual prisão, vício, demência, encarrega-se de isolar o ser amado numa redoma à prova de ultrajes físicos, estéticos, morais, ou seja, ele será sempre um Deus, e você pode inclusive odiá-lo, sentir nojo dele, mas amando sempre, querendo-o sempre, contra sua própria vontade, sua inteligência e os conselhos de seus amigos. Vide “um amor de Swann”.

Myriam: eles só entenderão quandro cruzar seus caminhos uma verdadeira Filha da Puta. Os homens são o tipo humano que só aprende tomando.

Vinícius
2007-07-23 18:37:12

Ou talvez o tipo humano que não aprendem.

Rômulo
2007-07-24 11:41:04

Capacidade de aprendizagem não depende de gênero. Já a questão do amor, depende.

O homem é mais intelectual que emocional, e a mulher mais emocional que intelectual; estou errado? A mulher, por mais intelectualizada que seja, às vezes é incapaz de submeter suas emoções às decisões que tomou por meio da lógica. Ela pode esquematizar sua vida, fazer planos, pensar tudo da maneira mais correta possível, e na outra semana fugir para a França com seu jardineiro mexicano, González, por que ela sentiu que isso era a coisa certa a ser feita, e nada mais importa.

O homem, por mais emocional que seja, consegue deter o desejo mais forte graças a alguma aritmética mental previamente estabelecida. Pode querer dar um tapa na ex-esposa maldita que fugiu para a Europa com aquele bigodudo nojento, mas sabe que isso piorará sua situação no divórcio. Ela bem que merecia, mas paciência.

Naturalmente há gradações, em ambos os lados, e naturalmente há exceções completas - mas no geral é assim. O Proust era bicha, a Beauvoir era lésbica. Comumente os homens não compreendem “o cerne da questão amorosa”, ou só fingem compreender, e comumente as mulheres são “verdadeiras Filhas da Puta”, ou talvez apenas não inteiramente sensatas. Como fugir dessas coisas de gênero? Claro que há vantagens e desvantagens tanto para o lado emocional como para o intelectual. Mas acho que é dessa dualidade que o conflito surge.

Eu rejeitaria a mulher que matou minha mãe, perdão. Por mais grossa que fosse a redoma que meu amor criou em volta dela. Estaria certo em me adequar à moral? Estaria errado em trair minhas emoções? Não sei: não importa. Seria assim.

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2007-07-24 12:29:53

Digo que sim.

 
2007-07-24 14:39:36

Digo que essas coisas nao se podem prever.
O amor - na verdade a paixao, que quase sempre e a sua primeira manifestaçao - quando invade nossas vidas, derruba qualquer previsibilidade.

Pode ser tambem que eu esteja lendo Dostoievski em demasia, sei la.

 
Lorena
2007-07-26 17:16:14

Well, well, well, Rominho, sua teoria é toda muito ajeitadinha, diria mesmo que ajeitadinha demais. Para mim, os gêneros são, de fato, duais e diversos entre si, em quase todos os aspectos - menos no amor. Porque o amor fode com a inteligência e capacidade de raciocínio lógico de qualquer ser humano - o amor de verdade, enraizado, que eu conheço de perto mas não saberia definir.

Proust era bicha, mas isso invalida suas considerações acerca da questão amorosa? Eu acho qe não. Swann era um intelectual de espírito elevado (não era um otário qualquer, digamos assim), e no entanto transformou-se no cachorrinho de uma “coquete” (adoro essa palavra), desceu ao mais baixo patamar da humilhação por amor, contradisse ao absurdo seu histórico de homem sóbrio que sabia como poucos lidar com o amor, os prazeres, a paixão - o que seja! - em função de seus interesses gerais que sempre vieram antes dos supracitados prazeres passionais… até enamorar-se de Odette.
Em suma, é o exemplo por excelência do homem que, segundo a teoria do Rômulo, saberia o momento de parar, de dizer não, de recusar o objeto amado quando este se contrapõe aos interesses de sua vida prática; no entanto…

Esse tipo de coisa não acontece só na literatura. Eu já vi os homem mais sóbrios virarem manteiga diante de alguma mulher (normalmente, esses, os sóbrios, como o próprio Rômulo - não tome isso como uma crítica pessoal, é apenas uma constatação - caem pelas Filhas da Puta, e caem de uma altura mais alta que a média, pelo próprio contraste de sua condição racional com a outra sem nome a que leva o amor). É uma das verdades irrefutáveis da vida. E é também uma experiência das mais interessantes, não digo que recomendo porque nem precisa, é apenas questão de tempo para que aquele que jamais vivenciou-a vivencie-a, seja homem, mulher, bicha, lésbica, traveco, whatever.

2007-07-26 19:37:52

Mas é sempre tão melhor não passar por nada! Quem dera, Eva!, não tivesses feito a verdadeira cagada universal de ouvir a cobra!

 
Rômulo
2007-07-26 20:28:04

Bem, não sei. Digo com propriedade que nunca vivencei a variedade utópica de amor que você descreveu, e creio que quaisquer quedas que tive nunca aconteceram das alturas aludidas - certamente o dano posterior aponta para tanto. Embora minha razão nem sempre aja no momento ideal, sempre surge num momento fortuito, e o passado revela que foi capaz de evitar ou amortecer o prejuízo em todas as instâncias que necessitei dela. Eu não disse no meu comentário que o homem é sempre o Capitão Razão, veja bem, e que desconhece o sentimento, como você fez parecer; minha ‘teoria’ não exclui a possibilidade de níveis nem de exceções. Disse que a forma de amor citada por você é mais freqüente nas mulheres que nos homens, e discordo que sua experiência seja uma verdade irrefutável da vida. Se for, discordo de qualquer forma que sua presença impossibilite a rejeição. E lembre-se que meu comentário foi todo pensado com base na situação absurda que eu propus alguns comentários antes, “você rejeitaria o homem amado sabendo que o caro matou sua mãe?” (acho que vou mandar isso pra Contigo). Leia-o sob essa perspectiva. Acredito que a possibilidade seria maior de que os homens, devidamente adaptada a pergunta, dizessem não, e agissem conformemente; as mulheres diriam não e agiriam contraditoriamente. É como me leva a crer a observação. Enfim, coisas, e toda essa conversa sobre amor e impropérios me provoca náusea; tais assuntos, a não ser que devidamente vestidos com umas casacas grossas de cinismo, mui bem humorado, desses que secam, deveriam ser proibidos de circular em território tão aberto, e trancafiados nas salas úmidas das quais surgiram, e às quais pertencem.

Rômulo
2007-07-26 21:52:22

Ah sim, e um P.S.: se você acha que esse amor romântico é grande, experimente ter um filho.

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Lorena
2007-07-26 17:42:44

P.S.: NUNCA diga “dessa água não beberei”

 
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