Tornar-me-ei filósofo

Postado em July 16, 2007
Categoria Filosofia |

Sim, caros, boas novas. Este que vos escreve está a um passo de se tornar o mais novo filósofo brasileiro. Ou a dois, tanto faz. Ainda não o sou, contudo percebi em mim o ímpeto a filósofo, tenho o talento. A um artista que sou, embora mal compreendido, deve-se tomar o cuidado de separar o artista do filósofo. Arte é criação, filosofia é reflexão. Resumindo parcamente, claro, adoráveis leitores.

Só é uma pena o brasileiro não se interessar por filosofia, porque assim não temos acesso a oficinas (como ocorre na Literatura — faço muitas, diga-se) ou a mestres pertinentes. Assim sendo, encarecidamente vos peço “dicas” de leitura e, se possível, alguma oficina que, apesar de raras, devem haver.

Enfim, todo filósofo deve ter uma teoria. Eu tenho a minha que, se já não é avassaladora, há de ser, quando eu me tornar um filósofo. Chama(r)-se(-á) a “Teoria do Dechaos” (com “ch” mesmo, que tem mais elegância), e é uma superação de existencialistinhas como o Sartre, além dos clássicos. Já tenho alguns manuscritos que fiz ontem, embora pense nisso desde meu nascimento. Pensava por outras palavras, é claro. Quer dizer, não pensava porque não refletia, eu percebia. Mas a minha filosofia decerto é viva, vocês logo vêem, é de longa data.

A Teoria do Dechaos. Já tendo sido superadas as questões de metafísica e natureza humana, que são inviáveis, posto que não possa haver um princípio humano enquanto ainda não há o conceito, o homem deve ser visto enquanto tal, em si, nem anterior nem posteriormente — o que em minha filosofia abole qualquer possibilidade de vida após a vida. Temos de propor a questão da “vida”, que é a vida?

Vida bem pode ser tudo aquilo o que vive. Se não fizermos distinção, vida pode simplesmente ser o universo, ou tudo que houver. Preocupemo-nos, por ora, apenas com a vida do indivíduo, cuja vida é aquilo que dizemos estar depois do antes-de-existir e antes do depois-de-existir, um interstício que corresponde à nossa existência efetiva (não a rememorada, que é quando evocamos). Trata-se, pois, da primeira arbitrariedade que se deve impor à Natureza, que na verdade é o que não sofreu nada do homem. Desconsideramos a “natureza humana” por esta ser justamente aquilo que não-é, não tem conceitos e não reflete. Como o mais esperto leitor pôde perceber, primeiro nos deparamos com o amorfo, que logo foi separados em categorias (vida e não-vida individuais). Oras, se ainda lhe desagrada, por favor!, já lhe disse que se trata apenas de um “esboço”, ainda não sou um filósofo, mas sê-lo-ei.)

A filosofia minha aborda justamente a deschaotização do que percebemos, através de um movimento de reflexão racional e ideal em favor da forma do mundo. O que já é sacramentado não nos interessa, o que devemos fazer é apenas “reconstruí-lo”, através da relativização. Mas não se o deixe em relativização, precisamos trazer a verdade, impô-la.

Outra coisa que abordarei, quando eu for filósofo: as imagens da vida, tanto as fenomenológicas quanto as emocionais. Das fenomenológicas, já falei um pouco, percebe-se. Das emocionais, digo que é preciso sentir o mundo, privando-se ao máximo de sua moral, para que depois se possa dar conta do que se percebeu, e se aquilo é ou não o que parece ser. Remoralizar. Enfim, idéias.

E, como podeis ver, trata-se de uma filosofia promissora. Mas preciso estudar mais: recomendem-me livros, artigos da Wikipédia, ou de qualquer site, e oficinas. Também são aceitas doações em espécie, um mecenato cairia como uma luva. Um para minha filosofia, outro pra literatura.

Comentários

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5 Comentários »

Vinícius
2007-07-16 14:08:20

Isso é sério?

(Ressalva: este comentário é tão sério quanto sua resposta.)

2007-07-16 14:13:12

Muy sério.

 
 
Lorena
2007-07-16 17:52:25

O.o

 
Rômulo
2007-07-16 18:08:38

Hã.

Creio que nessa publicação você encontrará diversas oficinas.

2007-07-16 20:09:14

Caro, obrigado pela dica. Naveguei pelo site e já encontrei excelentes opções! Recomendo a todos.

 
 
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