Meu quarto pintado de branco
Do sol, inclemência do meio-dia às duas horas da tarde Este clichê do calor Sufoca-me o hiato A ponte de um hífen Aonde iria Sentar-me à sombra A outra hora do dia Em que me recebe a Noite Despir-me da máquina para o orvalho Cai-me gota a gota sobre rosas
Apressai-vos
Apressai-vos A boca O sexo A garganta A fala A imolação branca A faca que não corta a pele Corta a calma O sangue invisível A jorrar da taça Aceitá-la Pai vier retirá-la O veneno nunca tomá-lo à mesa na hora da sopa Nenhum grito Minha língua não tocá-lo
Estrada
Poesia, fazer de ti uma vadiagem Porque corro de tudo e pico a página com esses toques no teclado teclo O que não escolhi da vida me persegue Eu me vendi à-toa, precipitando-me à primeira moeda, falsamente comungando-a Não era uma hóstia de pão O falso metal que me indigere Só o [...]
Poemas postos em mistérios dolorosos
Resistência Semana de demônios soltos Em que monarcas perdem dinheiro A menina morta Ainda que os pequenos E os micros Peçam atenção Bichinhos que as armadilhas pegam Resistiremos a Hitler? O impossível? Mas se nos juntarmos um a um, levantaremos a Europa Meu Brasil América, França e a Inglaterra São nossas “Eu tenho apenas duas [...]
Tentação do suicídio
Maiakóvski suicidou-se. Clementino Musa da Costa, meu tio Tino, que tinha máquina de escrever e uma motocicleta, suicidou-se. Candida, a bela mulher moça do fazendeiro bem-vestido galã, Zeca do Argemiro, suicidou-se, era no tempo da minha infância. Sempre me impressionaram os suicidas e os afogados. Santa Teresinha diz, em seus escritos, que teve a tentação [...]
Godot
Providência Estou à espera dos assassinos Que nunca chegarão Sejam tragados pelos caminhos O labirinto do próprio inferno, que edificam Diante, só, da montanha Luz de julho Não posso tirar férias A retirada Aqui a vida não vale nada Mas a fuga Ao ponto após a caminhada Não acaba este azul Com o azul embriagada
Guloseima
Beijos doces gostosos seus lábios Beijos flores plantadas seus lábios Beijos rápidos sedosos seus lábios Beijos doces flores rápidos lábios demorados
Stress
Stress O martírio nas condições de trabalho E o vento O vento levita as folhas E o vento Música Brancas de papel Qualquer devaneio Mártires Não se deixam morrer E vivem quando morrem E o vento O vento levanta as folhas de papel sobre O devaneio levanta a saia Brancas sobre a mesa (Ana Cândida [...]