Devoradores, por que “livro para iniciados”

Postado em May 16, 2008
Categoria Livros |

Muitos leitores deparam-se com dificuldades técnicas para enviar seus comentários diretamente aos blogs, não falo somente deste breviario.org, onde mandar comentários não é difícil, mas do meu blog Ana Candocha Opinião Própria (anacandidacosta.blogspot.com). Seja por que meio for, e-mails, fax, etc., o que importa é recebê-los. A leitora Luiza Freixinho enviou para Astolfo Araújo um comentário muito pertinente, acertando o alvo dizendo que Devoradores é um livro para iniciados. Por quê? Ora, para iniciados porque é um livro mais fácil de ser compreendido por aqueles que viveram a contracultura, a resistência política contra as ditaduras, os idos de 1964, 1968, 1970, 1980 tudo o que mudou o mundo para melhor e foi retomado para pior. Hoje o Estadão, em matéria de capa do Caderno 2, noticia que a banda Justice foi proibida de exibir seu clip, dirigido por Romain Gavras, por ser uma exaltação da violência. Pelo que se entende, Justice, como uma Laranja Mecânica do século XXI, retrata a violência dos jovens imigrantes nos países desenvolvidos num desafio predatório às sociedades que acolheram suas famílias. Não tão simples assim. Devemos abominar qualquer ato de violência (o espetáculo físico da violência é totalmente cruento), mas muito além da crueldade que gera todas as crueldades está o modus operandi dos bancos, o sistema financeiro que rouba o direito de pagar das pessoas, que fecha fábricas e empresas, desaloja as pessoas das casas numa espécie de ditadura econômica cada vez mais potencializada, que gera um desemprego endêmico entre a juventude do planeta. Quer violência maior (indecência mesmo, porque ato farisaico) que este anunciado leilão de imóveis da Caixa, com anúncios na TV, malas diretas milionárias enviadas para todos os lares (eu recebi um lindo envelope envolto em celofane), quando sabemos que muitos desses imóveis foram retomados de forma vil, impedindo seus ocupantes de pagar, porque as condições oferecidas são inviáveis e os juros infláveis, mesmo que a inflação esteja baixa? E a propaganda enganosa de que as prestações são decrescentes, mas eles sobem os seguros. São todos devoradores. O que precisamos hoje é de democracia econômica. Lutar contra a tortura econômica dessa macoeconomia perversa que traz regressão aos direitos constitucionais dos cidadãos. Mas eis, abaixo, o  comentário de Luiza Freixinho, para o livro Devoradores, romance político policial do cineasta Astolfo Araújo, “um livro para iniciados” na história da contracultura, nas revoluções políticas e revoluções de costumes perpetradas pela juventude universal, tendo 1968 como ano símbolo: 

O que mais me impressiona no seu brilhante trabalho é a narrativa.
Não é um livro digestivo.
É para iniciados.
E por incrível que possa parecer senti uma certa nostalgia daquela época feita de absolutas certezas, principalemte quando vejo os anos oitenta e o que eles não fizeram.
Espero que a inteligênciaburrabrasileira se curve ao talento de Astolfo Araújo.
Parabéns!

Comentários

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1 Comentário »

Luiza Freixinho
2008-05-18 10:33:58

Nardonis, Ronaldinho e o rigor anódino-cartesiano.

Ainda citando, a leitura para iniciados”” referente a obra de Astolfo Araújo, gostaria de `a guisa de esclarecimentos a respeito, chamar atenção para os conceitos fundamentais que no momento permeiam nossa sociedade.

Fico muito preocupada(não me interesso nem um pouco com quem matou Isabella,) mas com o que se apresenta em termos de status quo vigente.

Diz a defesa – formavam um casal super preocupado com a decoração do apartamento, nas cores escolhidas, nos tvs de plasma em cada quarto e quetais.

Diz a acusação – formavam um casal briguento, a moça falava alto e dizia o que pensava.

No segundo aspecto, o caso Ronaldinho, os travestis foram, de forma espontânea, à delegacia, informar que ficaram no motel, de 4 às 9 hrs da manhã, tomando cervejinha e jogando conversa fora.

Estou muito assustada com este tempo que estamos presenciando.
Tenho uma neta de 1 ano e temo que a cabecinha dela seja lavada com água sanitaria para que os maus pensamentos não aflorem.

Aí volto à Astolfo Araújo que nos dá nesta fase de comemoração dos anos 60, um bálsamo para nossas almas mortas.

Luiza Freixinho

 
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