Meu quarto pintado de branco
Postado em
April 30, 2012
Categoria: Poesia | Um comentário
Do sol, inclemência do meio-dia
às duas horas da tarde Este clichê
do calor Sufoca-me o hiato
A ponte de um hífen Aonde
iria Sentar-me à sombra
A outra hora do dia
Em que me recebe a Noite
Despir-me da máquina
para o orvalho Cai-me
gota a gota sobre rosas
Apressai-vos
Postado em
October 24, 2009
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Apressai-vos
A boca O sexo A garganta
A fala A imolação branca
A faca que não corta a pele
Corta a calma O sangue invisível
A jorrar da taça Aceitá-la
Pai vier retirá-la O veneno
nunca tomá-lo à mesa
na hora da sopa Nenhum grito
Minha língua não tocá-lo
Inconfidenciável
Postado em
October 18, 2009
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O que é meu Falo de silêncio a silêncio
O que é mim Que sou eu
De silêncio a silêncio Poemo
Estrada
Postado em
October 4, 2009
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Poesia, fazer de ti uma vadiagem
Porque corro de tudo e pico a página
com esses toques no teclado teclo
O que não escolhi da vida me persegue
Eu me vendi à-toa, precipitando-me
à primeira moeda, falsamente
comungando-a Não era uma hóstia de pão
O falso metal que me indigere
Só o tempo para expelir o estranho
em minha roda Quero trafegar
pelos caminhos de terra
na trilha da montanha São
traços na Mantiqueira Os riscados
rastros Passos passos Alpinistas e dos motoqueiros
Poemas postos em mistérios dolorosos
Postado em
October 19, 2008
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Resistência
- Semana de demônios soltos
- Em que monarcas perdem dinheiro
- A menina morta Ainda que os pequenos
- E os micros Peçam atenção Bichinhos
- que as armadilhas pegam Resistiremos
- a Hitler? O impossível? Mas se nos juntarmos
- um a um, levantaremos a Europa Meu Brasil
- América, França e a Inglaterra São nossas
- “Eu tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”.
- 13 a 19 de outubro de 2008
Curva perigosa
- Somos pobres e os projetos existem
- Para sermos desprezados Eles
- que não fazem nem deixam fazer
- Demoram-nos os fardos Carregamos
- a espera De todas as cruzes
- Elevamos poemas
- 19/10/2008
Os nomes de Nossa Senhora
- Vou largando meus fardos
- E eu corro solta por atalhos
- Toscos caminhos Pedras
- nas ruas de Minas Lascados
- passos A procissão caminha
- barrocos passos das dores
- a imagem, Mater Dolorosa
- Nossa Senhora das Dores,
- Rogai por nós!
- 19/10/2008
Vesúvio
- A pressão absoluta Nem tempo
- Não há trégua para as sedas
- Os teares destruídos para os operários
- Desaparecem os bordados
- Nem da coruja na noite o pio
- O cotidiano devastado e o novo
- Em que ponto do mundo
- Todas as estrelas desnudam-se
- as lâmpadas dos postes ruas trevas
- E dos instrumentos não ouvimos os sons
- Com os seus intérpretes cativos
- A rainha Ester possa implorar ao rei
- Para deter Amã — podermos nos vestir –
- Restauramos a “civilização” dos bandidos
- Nem nos deixam calçar nossos sapatos
- 18/10/2008
Dia da Criança “Kipling, O Elefante Infante”
Postado em
October 12, 2008
Categoria: Cultura, Literatura, Livros | Comente
O presente mais bonito de um livro, hoje, presente pelo Dia da Criança, é o livro de Kipling, Prêmio Nobel 1907, “O Elefante Infante”, tradução de Adriano Messias, ilustrações de Fernando Vilela, projeto gráfico de Raquel Matsushita e Marina Mattos, posfácio de Diego Barreto Ivo, edição da Musa Editora. Uma história bem contada, com palavras claras, que nos mostra o que é compor artisticamente uma narrativa interessante não só pelo seu tema, mas pelo estilo único e modo inédito em todos os tempos.
Os leitores podem ver o livro no site da Livraria Cultura, da Livraria da Travessa, da Livraria Saraiva, Livraria da Vila, Nesta, até já acabou o estoque, mas que os pais que querem algo além do óbvio para dar aos seus filhos neste Dia da Criança, no Natal, em todos os dias que são mesmo dias de oferecer bons livros aos filhos, insistam: peçam mais à Editora, compradores da Vila.
Quem quiser saber sobre esta obra-prima para crianças, em edição trilíngüe, inglês-francês-português, consultem o hot site criado pelo Diego: No Natal, livros de presente para crianças.
Crianças pequenas e grandes se deliciam com a história, contada por um Prêmio Nobel para sua filha Josephine e para todas as crianças do mundo, em todos os tempos e lugares. Pais, mães e professores o que estão esperando para começar a er para seus filhos “O Elefante Infante”? Nessa edição da Musa eles poderão colorir, ao final, desenhos feitos pelo próprio Kipling. Fenando Vilela ilustrou, mas incorporamos ao projeto as ilustrações centenárias do grande escritor anglo-indiano.
Vá a uma boa livraria e deguste o “Elefante Infante” em três línguas. O projeto gráfico da Raquel é sutil, não grita nas estantes. Vale a pena descobrir o interior do livro, texto com palavra artística em absoluta simplicidade (não simploriedade) e ilustrações primorosas e divertidas. Quem disse que a literatura não pode trazer alegria?
Dia de Nossa Senhora Aparecida, Dia da Criança. Dia de descobrir bons livros. Não basta ler, temos de ler bons livros.
Que ela seja padroeira dos bons livros. Visitando Tiradentes, a igreja barroca, vi pela primeira vez a imagem de uma Santana Mestra com um livro no joelho ensinando Nossa Senhora menina (soube mais tarde que há imagens barrocas de Santana Mestra em outros templos mineiros). Fiquei fascinada, não conhecia tamanha homenagem ao livro. Por isso, hoje, reverencio Nossa Senhora Aparecida, não somente como padroeira do Brasil, mas a elejo padroeira dos bons livros. Uma obrigação dos pais, principalmente os pais desinformados das cidades do interior (fiz feiras em cidades pequenas e médias e sei do que estou falando, nem sempre a ascensão econômica é acompanhada pela ascensão cultural e percebi também um retrocesso de amor ao livro em novas gerações da classe média antes letrada): dar bons livros aos seus filhos. Dar leitura, textos literários. Um menino de 5 anos me recontou a história de “O Elefante Infante”, lida para ele, pela tia. Sem que eu pedisse. Ele se chama Mateus.
Tentação do suicídio
Postado em
August 3, 2008
Categoria: Cotidiano, Poesia | 2 comentários
Maiakóvski suicidou-se. Clementino Musa da Costa, meu tio Tino, que tinha máquina de escrever e uma motocicleta, suicidou-se. Candida, a bela mulher moça do fazendeiro bem-vestido galã, Zeca do Argemiro, suicidou-se, era no tempo da minha infância. Sempre me impressionaram os suicidas e os afogados. Santa Teresinha diz, em seus escritos, que teve a tentação do suicídio em momento de sofrimento extremo. Teresa de Ávila (Santa Teresa de Jesus), a grande escritora mística espanhola, nos descreve um caminho estreito como se de um lado estivesse a vida e do outro o despenhadeiro. Tento comentar: Caminhamos por um fio. O equilíbrio que desenvolvemos nos livra dos efeitos dos empurrões. Temos de temer. Nunca nos submeter. Submissão não é humildade. Aprendi com as duas santas. A humildade é a verdade. E devemos sustentar o nosso histórico com a verdade inequívoca dos fatos, pois “a humildade é a verdade”.
Tentação do suicídio
Onde está a resposta de Deus
Se eu aqui permaneço à espera
Rente à vida e à linha dos suicidas?
Será esta a resposta de Deus?
Para onde seguir, nesta cidade
ficar. Aonde irei com todas
as malas? Despojar pelo caminho
O conteúdo dos ninhos Quebrar
os ovos que soltarão pássaros?
Ainda nasci das serras azuis
E à beira de abismos Olhar amplidão
Os pés fixos na pedra Quebrar-se ao despenhadeiro?
Nem rasgarão os livros Ou queimar os navios
Se cessarem todas as defesas, as minhas e a do próximo, também choro pelos outros: Eu tenho a metralhadora de um blog. E o silêncio como espera. Por trás da janela: duas metralhadoras e dois blogs (breviario.org/ludambula e Ana Candocha Opinião Própria), para espantar com rajadas, como nos faroestes, os malvados “mocinhos” da surrealidade tosca da economia selvagem no Brasil, onde a própria lei promulga a ilegalidade em benefício dos poucos. Caçoam da cultura, dos livros, “Ninguém te dá atenção”, bem disse paradoxalmente a celebridade Paulo Coelho, em entrevista a Ubiratan Brasil. Fiquemos com Drummond: “Temos apenas duas mãos e o sentimento do mundo”. A próxima publicação neste espaço será um texto da época da Segunda Guerra Mundial sobre o luto da poesia. Em tempo de brutalidade econômica assistida pela lei do mais forte, abusos de autoridade, pequenos ditadores cartoriais, insegurança jurídica, processos sumários cotidianos cassando-se ao cidadão o direito ao contraditório, direitos básicos vilipendiados, a multiplicação de pequenas atrocidades capazes de sutilmente matar e eliminar qualquer defesa (qual defensor terá a percepção da princesa do conto “A princesa e a ervilha” ao localizar e identificar com sua índole de nobreza o grão invasor sob a montanha de colchões?), a poesia permanece de luto em sua forma metafórica, emblemática, espaço de linguagem na plenitude, na mais plena [e excelência da] liberdade. Diante de um bom poema, mesmo reféns, deixamos de ser escravos.
Godot
Postado em
July 19, 2008
Categoria: Poesia | Um comentário
Providência
Estou à espera dos assassinos
Que nunca chegarão Sejam tragados
pelos caminhos O labirinto
do próprio inferno, que edificam
Diante, só, da montanha Luz de julho
Não posso tirar férias A retirada
Aqui a vida não vale nada Mas a fuga
Ao ponto após a caminhada Não acaba
este azul Com o azul embriagada
“Devoradores”, Primeiro Lugar e a carta a Astolfo Araújo da roteirista de “Tainá”
Postado em
July 2, 2008
Categoria: Literatura, Livros, Uncategorized | Comente
Breviário está com tudo e também o Primeiro Lugar, com “Devoradores”, de Astolfo Araújo, no Google. Ao receber um comentário da roteirista de “Tainá”, Astolfo me telefonou e recomendou colocar a bela mensagem no blog. Realmente a carta de Cláudia Levay é uma celebração do livro, a cada dia sendo descoberto por mais leitores, aqueles mais qualificados. Temos de nos orgulhar (orgulho positivo que é verdade pura) de “Devoradores”, do breviário.org, do Primeiro Lugar e do hotsite criado pelo Diego Barreto Ivo. Leiam a carta (abaixo) de Claudia Levay a Astolfo Araújo:
Oi Ana
Me escreveu Cláudia Levay. Roterista de cinema e TV.
Se você achar legal, use-a no seu blog.
Astolfo
“Caro Astolfo!
Desculpe a demora em responder. Estive às voltas com infernos astrais, próprios dessa área de cinema e TV, mas as coisas vão se resolvendo.
Gostei muito, muito, dos Devoradores.
A história prende, e surpreende. Aquele final revelação de Qualquer, muito bem sacado. Numa segunda leitura, percebemos muitas pistas sutis, coisa de boa literatura. Também gostei bastante das personagens de Cássia e Kiss e suas reviravoltas psicológicas. Quanto à narrativa , Devoradores é um prato cheio. Os comentaristas tiveram toda razão em colocá-lo ao lado de Hemingway e Steinbeck. Sua maneira original e rica de lidar com as palavras tempera a leitura, dá vontade de ler mais e mais.Tem estilo. Sua obra é o artesanato da palavra.
Espero que lance um segundo banquete logo.
E que nos reencontremos em breve.
Cláudia Levay”
Guloseima
Postado em
June 21, 2008
Categoria: Poesia | Comente
Beijos doces
gostosos
seus lábios
Beijos flores
plantadas
seus lábios
Beijos rápidos
sedosos
seus lábios
Beijos doces
flores
rápidos
lábios demorados
keep looking »