Dia da Criança “Kipling, O Elefante Infante”
Postado em
October 12, 2008
Categoria: Cultura, Literatura, Livros | Comente
O presente mais bonito de um livro, hoje, presente pelo Dia da Criança, é o livro de Kipling, Prêmio Nobel 1907, “O Elefante Infante”, tradução de Adriano Messias, ilustrações de Fernando Vilela, projeto gráfico de Raquel Matsushita e Marina Mattos, posfácio de Diego Barreto Ivo, edição da Musa Editora. Uma história bem contada, com palavras claras, que nos mostra o que é compor artisticamente uma narrativa interessante não só pelo seu tema, mas pelo estilo único e modo inédito em todos os tempos.
Os leitores podem ver o livro no site da Livraria Cultura, da Livraria da Travessa, da Livraria Saraiva, Livraria da Vila, Nesta, até já acabou o estoque, mas que os pais que querem algo além do óbvio para dar aos seus filhos neste Dia da Criança, no Natal, em todos os dias que são mesmo dias de oferecer bons livros aos filhos, insistam: peçam mais à Editora, compradores da Vila.
Quem quiser saber sobre esta obra-prima para crianças, em edição trilíngüe, inglês-francês-português, consultem o hot site criado pelo Diego: No Natal, livros de presente para crianças.
Crianças pequenas e grandes se deliciam com a história, contada por um Prêmio Nobel para sua filha Josephine e para todas as crianças do mundo, em todos os tempos e lugares. Pais, mães e professores o que estão esperando para começar a er para seus filhos “O Elefante Infante”? Nessa edição da Musa eles poderão colorir, ao final, desenhos feitos pelo próprio Kipling. Fenando Vilela ilustrou, mas incorporamos ao projeto as ilustrações centenárias do grande escritor anglo-indiano.
Vá a uma boa livraria e deguste o “Elefante Infante” em três línguas. O projeto gráfico da Raquel é sutil, não grita nas estantes. Vale a pena descobrir o interior do livro, texto com palavra artística em absoluta simplicidade (não simploriedade) e ilustrações primorosas e divertidas. Quem disse que a literatura não pode trazer alegria?
Dia de Nossa Senhora Aparecida, Dia da Criança. Dia de descobrir bons livros. Não basta ler, temos de ler bons livros.
Que ela seja padroeira dos bons livros. Visitando Tiradentes, a igreja barroca, vi pela primeira vez a imagem de uma Santana Mestra com um livro no joelho ensinando Nossa Senhora menina (soube mais tarde que há imagens barrocas de Santana Mestra em outros templos mineiros). Fiquei fascinada, não conhecia tamanha homenagem ao livro. Por isso, hoje, reverencio Nossa Senhora Aparecida, não somente como padroeira do Brasil, mas a elejo padroeira dos bons livros. Uma obrigação dos pais, principalmente os pais desinformados das cidades do interior (fiz feiras em cidades pequenas e médias e sei do que estou falando, nem sempre a ascensão econômica é acompanhada pela ascensão cultural e percebi também um retrocesso de amor ao livro em novas gerações da classe média antes letrada): dar bons livros aos seus filhos. Dar leitura, textos literários. Um menino de 5 anos me recontou a história de “O Elefante Infante”, lida para ele, pela tia. Sem que eu pedisse. Ele se chama Mateus.
Tentação do suicídio
Postado em
August 3, 2008
Categoria: Cotidiano, Poesia | Comente
Maiakóvski suicidou-se. Clementino Musa da Costa, meu tio Tino, que tinha máquina de escrever e uma motocicleta, suicidou-se. Candida, a bela mulher moça do fazendeiro bem-vestido galã, Zeca do Argemiro, suicidou-se, era no tempo da minha infância. Sempre me impressionaram os suicidas e os afogados. Santa Teresinha diz, em seus escritos, que teve a tentação do suicídio em momento de sofrimento extremo. Teresa de Ávila (Santa Teresa de Jesus), a grande escritora mística espanhola, nos descreve um caminho estreito como se de um lado estivesse a vida e do outro o despenhadeiro. Tento comentar: Caminhamos por um fio. O equilíbrio que desenvolvemos nos livra dos efeitos dos empurrões. Temos de temer. Nunca nos submeter. Submissão não é humildade. Aprendi com as duas santas. A humildade é a verdade. E devemos sustentar o nosso histórico com a verdade inequívoca dos fatos, pois “a humildade é a verdade”.
Tentação do suicídio
Onde está a resposta de Deus
Se eu aqui permaneço à espera
Rente à vida e à linha dos suicidas?
Será esta a resposta de Deus?
Para onde seguir, nesta cidade
ficar. Aonde irei com todas
as malas? Despojar pelo caminho
O conteúdo dos ninhos Quebrar
os ovos que soltarão pássaros?
Ainda nasci das serras azuis
E à beira de abismos Olhar amplidão
Os pés fixos na pedra Quebrar-se ao despenhadeiro?
Nem rasgarão os livros Ou queimar os navios
Se cessarem todas as defesas, as minhas e a do próximo, também choro pelos outros: Eu tenho a metralhadora de um blog. E o silêncio como espera. Por trás da janela: duas metralhadoras e dois blogs (breviario.org/ludambula e Ana Candocha Opinião Própria), para espantar com rajadas, como nos faroestes, os malvados “mocinhos” da surrealidade tosca da economia selvagem no Brasil, onde a própria lei promulga a ilegalidade em benefício dos poucos. Caçoam da cultura, dos livros, “Ninguém te dá atenção”, bem disse paradoxalmente a celebridade Paulo Coelho, em entrevista a Ubiratan Brasil. Fiquemos com Drummond: “Temos apenas duas mãos e o sentimento do mundo”. A próxima publicação neste espaço será um texto da época da Segunda Guerra Mundial sobre o luto da poesia. Em tempo de brutalidade econômica assistida pela lei do mais forte, abusos de autoridade, pequenos ditadores cartoriais, insegurança jurídica, processos sumários cotidianos cassando-se ao cidadão o direito ao contraditório, direitos básicos vilipendiados, a multiplicação de pequenas atrocidades capazes de sutilmente matar e eliminar qualquer defesa (qual defensor terá a percepção da princesa do conto “A princesa e a ervilha” ao localizar e identificar com sua índole de nobreza o grão invasor sob a montanha de colchões?), a poesia permanece de luto em sua forma metafórica, emblemática, espaço de linguagem na plenitude, na mais plena [e excelência da] liberdade. Diante de um bom poema, mesmo reféns, deixamos de ser escravos.
Godot
Postado em
July 19, 2008
Categoria: Poesia | Comente
Providência
Estou à espera dos assassinos
Que nunca chegarão Sejam tragados
pelos caminhos O labirinto
do próprio inferno, que edificam
Diante, só, da montanha Luz de julho
Não posso tirar férias A retirada
Aqui a vida não vale nada Mas a fuga
Ao ponto após a caminhada Não acaba
este azul Com o azul embriagada
“Devoradores”, Primeiro Lugar e a carta a Astolfo Araújo da roteirista de “Tainá”
Postado em
July 2, 2008
Categoria: Literatura, Livros, Uncategorized | Comente
Breviário está com tudo e também o Primeiro Lugar, com “Devoradores”, de Astolfo Araújo, no Google. Ao receber um comentário da roteirista de “Tainá”, Astolfo me telefonou e recomendou colocar a bela mensagem no blog. Realmente a carta de Cláudia Levay é uma celebração do livro, a cada dia sendo descoberto por mais leitores, aqueles mais qualificados. Temos de nos orgulhar (orgulho positivo que é verdade pura) de “Devoradores”, do breviário.org, do Primeiro Lugar e do hotsite criado pelo Diego Barreto Ivo. Leiam a carta (abaixo) de Claudia Levay a Astolfo Araújo:
Oi Ana
Me escreveu Cláudia Levay. Roterista de cinema e TV.
Se você achar legal, use-a no seu blog.
Astolfo
“Caro Astolfo!
Desculpe a demora em responder. Estive às voltas com infernos astrais, próprios dessa área de cinema e TV, mas as coisas vão se resolvendo.
Gostei muito, muito, dos Devoradores.
A história prende, e surpreende. Aquele final revelação de Qualquer, muito bem sacado. Numa segunda leitura, percebemos muitas pistas sutis, coisa de boa literatura. Também gostei bastante das personagens de Cássia e Kiss e suas reviravoltas psicológicas. Quanto à narrativa , Devoradores é um prato cheio. Os comentaristas tiveram toda razão em colocá-lo ao lado de Hemingway e Steinbeck. Sua maneira original e rica de lidar com as palavras tempera a leitura, dá vontade de ler mais e mais.Tem estilo. Sua obra é o artesanato da palavra.
Espero que lance um segundo banquete logo.
E que nos reencontremos em breve.
Cláudia Levay”
Guloseima
Postado em
June 21, 2008
Categoria: Poesia | Comente
Beijos doces
gostosos
seus lábios
Beijos flores
plantadas
seus lábios
Beijos rápidos
sedosos
seus lábios
Beijos doces
flores
rápidos
lábios demorados
Cobrança delicada
Postado em
June 15, 2008
Categoria: Cotidiano | Comente
Onde estão os novos posts dos dois Diegos e do Cléber? Estão fazendo falta. Quando Vinícius dará o ar da sua graça com o primeiro post? Escrevam, precisamos de vocês para o breviario ser inteiro um hyperblog.
Corpus Christi era Dia Santo Corrompeu-se em feriadão
Postado em
May 22, 2008
Categoria: Cotidiano, Cultura | 2 comentários
O post de Manoela Afonso, neste Breviário, me leva à deterioração que vivemos no circular pelas ruas das cidades. Se me alieno no conforto deste meu bairro das Perdizes, tudo é luz, em maio. Faltam ônibus, sobretudo nos domingos e feriados. Se pegamos o ônibus, começa o drama, os motoristas em geral são esses seres rudes que nada informam, arrancam com sofreguidão, derrubam passageiros ou quase, os cobradores ficam mudos a uma pergunta do interlocutor perdido. São eles desaforados, em geral, salvo raríssimas exceções. É a grande falta de educação prosperando solta, balizando tudo, porque nenhuma ascensão econômica, por melhor que seja, sem investimento na cultura, educação, nas artes em geral, só agaravará a barbárie cotidiana. A começar pelos novos ricos, o lumpesinato formado pela burguesia e sua inconsciência insana de novos ricos toscos. O povo consumidor de celular também não é um coitadinho. É preciso conscientizá-lo para o Outro e para si mesmo, pelo menos treiná-lo para o exercício das boas maneiras em seus ofícios. Aviso que não pertenço às hostes da direita, acredito em mudanças perpetradas pelas revoluções pacíficas, ou melhor, incruentas. O primeiro passo é a manifestação, como fez Manoela Afonso. Cria-se uma corrente. Blogar é um pouco isso, ou é isso?
Ontem, véspera de Corpus Christi em São Paulo. A corrida para o feriadão. Desde quando Corpus Christi não é mais dia santo? Para mim esta corrida mortal de feriados prolongados (precisamos mesmo é de férias tranqüilas), trânsito parado, é o próprio “diabo solto no redemoinho”. Para mim, Corpus Christi tem de voltar a ser dia santo, Festa do Corpo de Deus, como se diz em Portugal. Será ainda isto possível no interior do Brasil, especificamente no interior de Minas, quando as meninas de anjo jogavam flores durante a procissão, os colégios católicos levavam seus alunos em uniforme de gala e havia um ritual calmo, as mulheres cantavam e o Santíssimo abençoava a todos nas ruas? Eu não sou saudosista, porque muitas vezes a vida é melhor longe das famílias e com o pé na estrada. Não com o pé nessas estradas em que nos estouramos como uma boiada de carros, todos saindo de São Paulo num exaustivo rumo ao feriadão, um corredor para o matadouro quando o stress das estradas rompe a segurança tênue da nossa mão. Que a nossa Igreja Católica cuide para que Corpus Christi volte a ser um Dia Santo ao abrigo da calma azul do céu de maio junho. Ou quem sabe faça como ocorreu com a Ascensão e a Epifania, estas celebrações foram transferidas para o domingo seguinte. Não pensem que não adoro estar hoje aqui em casa, sem precisar ir para a guerra do trabalho. Eu falo de humanização da vida, hoje em estado bárbaro. Meu texto não é linear. Estou em guerra conta esta sofreguidão que transformou o ritual solene e calmo de um dia santo em feriadão e fuga desarvorada, a cegueira do estouro da boiada pisoteando com seus cascos a cidade, deixando-a para trás. Para nós, que gostaríamos, sim, de sair calmamente para bucólicas férias. Amanhã vou à Casa das Rosas, tratar do lançamento do livro do Pedro Rosas, “A vida começa no verão” , com quarta capa escrita pelo Luiz Thunderbird.
Stress
Postado em
May 17, 2008
Categoria: Poesia | Comente
Stress
O martírio
nas condições de trabalho
E o vento
O vento levita as folhas
E o vento
Música
Brancas de papel
Qualquer devaneio
Mártires
Não se deixam morrer
E vivem quando morrem
E o vento
O vento levanta as folhas
de papel
sobre
O devaneio levanta a saia
Brancas sobre a mesa
(Ana Cândida Costa, do livro Elogio do Homem)
Devoradores, por que “livro para iniciados”
Postado em
May 16, 2008
Categoria: Livros | Um comentário
Muitos leitores deparam-se com dificuldades técnicas para enviar seus comentários diretamente aos blogs, não falo somente deste breviario.org, onde mandar comentários não é difícil, mas do meu blog Ana Candocha Opinião Própria (anacandidacosta.blogspot.com). Seja por que meio for, e-mails, fax, etc., o que importa é recebê-los. A leitora Luiza Freixinho enviou para Astolfo Araújo um comentário muito pertinente, acertando o alvo dizendo que Devoradores é um livro para iniciados. Por quê? Ora, para iniciados porque é um livro mais fácil de ser compreendido por aqueles que viveram a contracultura, a resistência política contra as ditaduras, os idos de 1964, 1968, 1970, 1980 tudo o que mudou o mundo para melhor e foi retomado para pior. Hoje o Estadão, em matéria de capa do Caderno 2, noticia que a banda Justice foi proibida de exibir seu clip, dirigido por Romain Gavras, por ser uma exaltação da violência. Pelo que se entende, Justice, como uma Laranja Mecânica do século XXI, retrata a violência dos jovens imigrantes nos países desenvolvidos num desafio predatório às sociedades que acolheram suas famílias. Não tão simples assim. Devemos abominar qualquer ato de violência (o espetáculo físico da violência é totalmente cruento), mas muito além da crueldade que gera todas as crueldades está o modus operandi dos bancos, o sistema financeiro que rouba o direito de pagar das pessoas, que fecha fábricas e empresas, desaloja as pessoas das casas numa espécie de ditadura econômica cada vez mais potencializada, que gera um desemprego endêmico entre a juventude do planeta. Quer violência maior (indecência mesmo, porque ato farisaico) que este anunciado leilão de imóveis da Caixa, com anúncios na TV, malas diretas milionárias enviadas para todos os lares (eu recebi um lindo envelope envolto em celofane), quando sabemos que muitos desses imóveis foram retomados de forma vil, impedindo seus ocupantes de pagar, porque as condições oferecidas são inviáveis e os juros infláveis, mesmo que a inflação esteja baixa? E a propaganda enganosa de que as prestações são decrescentes, mas eles sobem os seguros. São todos devoradores. O que precisamos hoje é de democracia econômica. Lutar contra a tortura econômica dessa macoeconomia perversa que traz regressão aos direitos constitucionais dos cidadãos. Mas eis, abaixo, o comentário de Luiza Freixinho, para o livro Devoradores, romance político policial do cineasta Astolfo Araújo, “um livro para iniciados” na história da contracultura, nas revoluções políticas e revoluções de costumes perpetradas pela juventude universal, tendo 1968 como ano símbolo:
O que mais me impressiona no seu brilhante trabalho é a narrativa.
Não é um livro digestivo.
É para iniciados.
E por incrível que possa parecer senti uma certa nostalgia daquela época feita de absolutas certezas, principalemte quando vejo os anos oitenta e o que eles não fizeram.
Espero que a inteligênciaburrabrasileira se curve ao talento de Astolfo Araújo.
Parabéns!
Saída — homenagem aos rapazes Xico, Serginho, Diego
Postado em
May 11, 2008
Categoria: Poema opinião | Comente
Um blog é uma pregação
no deserto? Se um ler,
outro saberá. Um abrigo
São os seus braços Os meninos
que me defendem Serão anjos
da guarda esses bons rapazes
que me tomam as dores
e as carregam para lá?
Eles fazem teleconferências Dizem
que me defendem Os guardiões
da minha sala Sou moça
Ainda banco a rainha Tenho
uma coroa de pecados
O cetro com que bater
o inimigo Fustigar invejosos
e a predação dessa barbárie
Escrito em 24/4/2008
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