Meu quarto pintado de branco

Postado em April 30, 2012
Categoria: Poesia | Um comentário

Do sol, inclemência do meio-dia
às duas horas da tarde Este clichê
do calor  Sufoca-me o hiato

A ponte de um hífen Aonde
iria  Sentar-me à sombra

A outra hora do dia
Em que me recebe a Noite

Despir-me da máquina
para o orvalho  Cai-me
gota a gota sobre rosas

Apressai-vos

Postado em October 24, 2009
Categoria: Cotidiano, Literatura, Poesia | Um comentário

Apressai-vos

A boca O sexo A garganta

A fala A imolação branca

A faca que não corta a pele

Corta a calma O sangue invisível

A jorrar da taça Aceitá-la

Pai vier retirá-la O veneno

nunca tomá-lo à mesa

na hora da sopa Nenhum grito

Minha língua não tocá-lo

 

Inconfidenciável

Postado em October 18, 2009
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O que é meu Falo de silêncio a silêncio

O que é mim Que sou eu
De silêncio a silêncio Poemo

Estrada

Postado em October 4, 2009
Categoria: Cotidiano, Cultura, Literatura, Poesia | Comente

Poesia, fazer de ti uma vadiagem

Porque corro de tudo e pico a página

com esses toques no teclado teclo

 

O que não escolhi da vida me persegue

Eu me vendi à-toa, precipitando-me

à primeira moeda, falsamente

comungando-a  Não era uma hóstia de pão

 

O falso metal que me indigere

 

Só o tempo para expelir o estranho

em minha roda Quero trafegar

 

pelos caminhos de terra

na trilha da montanha  São

traços na Mantiqueira  Os riscados

rastros Passos passos Alpinistas e dos motoqueiros

Poemas postos em mistérios dolorosos

Postado em October 19, 2008
Categoria: Cotidiano, Literatura, Poesia | Comente

Vesúvio

Dia da Criança “Kipling, O Elefante Infante”

Postado em October 12, 2008
Categoria: Cultura, Literatura, Livros | Comente

O presente mais bonito de um livro, hoje, presente pelo Dia da Criança, é o livro de Kipling, Prêmio Nobel 1907, “O Elefante Infante”, tradução de Adriano Messias, ilustrações de Fernando Vilela, projeto gráfico de Raquel Matsushita e Marina Mattos, posfácio de Diego Barreto Ivo, edição da Musa Editora. Uma história bem contada, com palavras claras, que nos mostra o que é compor artisticamente uma narrativa interessante não só pelo seu tema, mas pelo estilo único e modo inédito em todos os tempos.

Os leitores podem ver o livro no site da Livraria Cultura, da Livraria da Travessa, da Livraria Saraiva, Livraria da Vila, Nesta, até já acabou o estoque, mas que os pais que querem algo além do óbvio para dar aos seus filhos neste Dia da Criança, no Natal, em todos os dias que são mesmo dias de oferecer bons livros aos filhos, insistam: peçam mais à Editora, compradores da Vila.

Quem quiser saber sobre esta obra-prima para crianças, em edição trilíngüe, inglês-francês-português, consultem o hot site criado pelo Diego: No Natal, livros de presente para crianças.

Crianças pequenas e grandes se deliciam com a história, contada por um Prêmio Nobel para sua filha Josephine e para todas as crianças do mundo, em todos os tempos e lugares. Pais, mães e professores o que estão esperando para começar a er para seus filhos “O Elefante Infante”? Nessa edição da Musa eles poderão colorir, ao final, desenhos feitos pelo próprio Kipling. Fenando Vilela ilustrou, mas incorporamos ao projeto as ilustrações centenárias do grande escritor anglo-indiano.

Vá a uma boa livraria e deguste o “Elefante Infante” em três línguas. O projeto gráfico da Raquel é sutil, não grita nas estantes. Vale a pena descobrir o interior do livro, texto com palavra artística em absoluta simplicidade (não simploriedade) e ilustrações primorosas e divertidas. Quem disse que a literatura não pode trazer alegria?

Dia de Nossa Senhora Aparecida, Dia da Criança.  Dia de descobrir bons livros. Não basta ler, temos de ler bons livros.

Que ela seja padroeira dos bons livros. Visitando Tiradentes, a igreja barroca, vi pela primeira vez a imagem de uma Santana Mestra com um livro no joelho ensinando Nossa Senhora menina (soube mais tarde que há imagens barrocas de Santana Mestra em outros templos mineiros). Fiquei fascinada, não conhecia tamanha homenagem ao livro. Por isso, hoje, reverencio Nossa Senhora Aparecida, não somente como padroeira do Brasil, mas a elejo padroeira dos bons livros. Uma obrigação dos pais, principalmente os pais desinformados das cidades do interior (fiz feiras em cidades pequenas e médias e sei do que estou falando, nem sempre a ascensão econômica é acompanhada pela ascensão cultural e percebi também um retrocesso de amor ao livro em novas gerações da classe média antes letrada): dar bons livros aos seus filhos. Dar leitura, textos literários. Um menino de 5 anos me recontou a história de “O Elefante Infante”, lida para ele, pela tia. Sem que eu pedisse. Ele se chama Mateus.

Tentação do suicídio

Postado em August 3, 2008
Categoria: Cotidiano, Poesia | 2 comentários

Maiakóvski suicidou-se. Clementino Musa da Costa, meu tio Tino, que tinha máquina de escrever e uma motocicleta, suicidou-se. Candida, a bela mulher moça do fazendeiro bem-vestido galã, Zeca do Argemiro, suicidou-se, era no tempo da minha infância. Sempre me impressionaram os suicidas e os afogados. Santa Teresinha diz, em seus escritos, que teve a tentação do suicídio em momento de sofrimento extremo. Teresa de Ávila (Santa Teresa de Jesus), a grande escritora mística espanhola, nos descreve um caminho estreito como se de um lado estivesse a vida e do outro o despenhadeiro. Tento comentar: Caminhamos por um fio. O equilíbrio que desenvolvemos nos livra dos efeitos dos empurrões. Temos de temer. Nunca nos submeter. Submissão não é humildade. Aprendi com as duas santas. A humildade é a verdade. E devemos sustentar o nosso histórico com a verdade inequívoca dos fatos, pois “a humildade é a verdade”.

 Tentação do suicídio

Onde está a resposta de Deus

Se eu aqui permaneço à espera

Rente à vida e à linha dos suicidas?

Será esta a resposta de Deus?

 

Para onde seguir, nesta cidade

ficar.  Aonde irei com todas

as malas?  Despojar pelo caminho

 

O conteúdo dos ninhos   Quebrar

os ovos que soltarão pássaros?

 

Ainda nasci das serras azuis

E à beira de abismos Olhar amplidão

Os pés fixos na pedra Quebrar-se ao despenhadeiro?

 

Nem rasgarão os livros Ou queimar os navios

 

Se cessarem todas as defesas, as minhas e a do próximo, também choro pelos outros: Eu tenho a metralhadora de um blog. E o silêncio como espera. Por trás da janela: duas metralhadoras e dois blogs (breviario.org/ludambula e Ana Candocha  Opinião Própria), para espantar com rajadas, como nos faroestes, os malvados “mocinhos” da surrealidade tosca da economia selvagem no Brasil, onde a própria lei promulga a ilegalidade em benefício dos poucos. Caçoam da cultura, dos livros, “Ninguém te dá atenção”, bem disse paradoxalmente a celebridade Paulo Coelho, em entrevista a Ubiratan Brasil. Fiquemos com Drummond: “Temos apenas duas mãos e o sentimento do mundo”. A próxima publicação neste espaço será um texto da época da Segunda Guerra Mundial sobre o luto da poesia. Em tempo de brutalidade econômica assistida pela lei do mais forte, abusos de autoridade, pequenos ditadores cartoriais, insegurança jurídica, processos sumários cotidianos cassando-se ao cidadão o direito ao contraditório, direitos básicos vilipendiados, a multiplicação de pequenas atrocidades capazes de sutilmente matar e eliminar qualquer defesa (qual defensor terá a percepção da princesa do conto “A princesa e a ervilha” ao localizar e identificar com sua índole de nobreza o grão invasor sob a montanha de colchões?), a poesia permanece de luto em sua forma metafórica, emblemática, espaço de linguagem na plenitude, na mais plena [e excelência da] liberdade. Diante de um bom poema, mesmo reféns, deixamos de ser escravos.

 

Godot

Postado em July 19, 2008
Categoria: Poesia | Um comentário

Providência

Estou à espera dos assassinos
Que nunca chegarão   Sejam tragados
pelos caminhos   O labirinto
do próprio inferno, que edificam

Diante, só, da montanha   Luz de julho
Não posso tirar férias  A retirada
Aqui a vida não vale nada Mas a fuga
Ao ponto após a caminhada Não acaba
este azul   Com o azul embriagada

“Devoradores”, Primeiro Lugar e a carta a Astolfo Araújo da roteirista de “Tainá”

Postado em July 2, 2008
Categoria: Literatura, Livros, Uncategorized | Comente

 Breviário está com tudo e também o Primeiro Lugar, com “Devoradores”, de Astolfo Araújo, no Google. Ao receber um comentário da roteirista de “Tainá”, Astolfo me telefonou e recomendou colocar a bela mensagem no blog. Realmente a carta de Cláudia Levay é uma celebração do livro, a cada dia sendo descoberto por mais leitores, aqueles mais qualificados. Temos de nos orgulhar (orgulho positivo que é verdade pura) de “Devoradores”, do breviário.org, do Primeiro Lugar e do hotsite criado pelo Diego Barreto Ivo. Leiam a carta (abaixo) de Claudia Levay a Astolfo Araújo:

Oi Ana

Me escreveu Cláudia Levay. Roterista de cinema e TV.

Se você achar legal, use-a no seu blog.

Astolfo

“Caro Astolfo!

Desculpe a demora  em responder.  Estive às voltas com infernos astrais, próprios dessa área de cinema e TV, mas as coisas vão se resolvendo.

Gostei muito, muito,  dos Devoradores.

A história prende, e surpreende. Aquele final revelação de Qualquer, muito bem sacado. Numa segunda leitura, percebemos muitas pistas sutis, coisa de boa literatura. Também gostei bastante das personagens de Cássia e Kiss e suas reviravoltas psicológicas.  Quanto à narrativa , Devoradores é um prato cheio. Os comentaristas tiveram toda razão em colocá-lo ao lado de Hemingway e Steinbeck. Sua maneira original e rica  de lidar com as palavras tempera a leitura, dá vontade de ler mais e mais.Tem estilo. Sua obra é o artesanato da palavra. 

Espero que lance um segundo banquete logo.

E que nos reencontremos em breve.

Cláudia Levay”

Guloseima

Postado em June 21, 2008
Categoria: Poesia | Comente

Beijos doces

            gostosos

            seus lábios

Beijos flores

            plantadas

            seus lábios

Beijos rápidos

            sedosos

            seus lábios

Beijos doces

            flores

            rápidos

            lábios demorados

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