ahá! A-ha
Postado em June 8, 2007
Categoria Memória Recente |

Observação importante: esse post deve ser lido ao som que se encontra em http://manoelaafonso.multiply.com/music
Eu não ia aparecer aqui tão cedo, pois estou com a cuca concentrada, dissertando, dissertando… mas a discussão que rolou entre vizinhos sobre “postar or not postar” me incitou ao post. Então, para dar um tempo do Merleau-Ponty, resolvi exercitar minha percepção dando uma geral na casa, transferindo pilhas de um lado para outros com a finalidade de encontrar algum espaço livre perdido por aqui, além do texto que não me vinha à cabeça. Fucei, fucei e encontrei.
Adoro atividades domésticas ao som de Nelson Gonçalves, Carlos Gardel e tantos outros que me fazem assobiar ou cantarolar uma ou outra parte de suas músicas incríveis. Mas hoje, numa dessas pilhas de livros e papéis que fiquei levando pra lá e pra cá, achei um cd adquirido na Feira dos Importados de Brasília já há algum tempo, mais de ano, que ainda nem tinha ouvido direito (às vezes encontro livros fechados por aqui também). O cd chama-se ‘Rock Collection” volume 1, ‘coletânia com 184 sucessos em formato mp3′, na sua melhor versão pirata. Para quem não conhece, a Feira dos Importados é o Paraguai do Planalto Central - melhor que a Sta. Ifigênia em sampa.
Pois então, nesse cd tem preciosidades e agora escrevo ao som de A-ha. Vocês podem imaginar como eu estou me sentindo nesse exato momento? Às vésperas dos meus 31 anos, tomo um copo de coca-cola, como daqueles deditos de chocolate, me dou conta de que hoje realmente preciso dos óculos e que ganhei alguns quilos desde a última vez que estive com o meu vinil do A-ha nas mãos, no final dos anos 80… não, eu não estou usando perneira e o meu cabelo não tem aquele corte repicado - mas já teve.
Agora estou assim, meio deprimida, meio me sentindo uma raposa velha experiente hahahah - só penso em ‘experiência’ agora - dá um tempo Merleau!
Na tv, o mesmo jornal nacional de milênios começa pontualmente às 20h15, religiosamente, todos os dias. É estranho, acho que são essas coisas que se repetem desde que nasci que me fazem pensar que ainda tenho 15 anos… eu ainda uso chinelo de dedo e me comporto como um menino… minha mãe nem sabe que, agora, morando sozinha, deixo a pilha de louça acumular até apodrecer na pia só pra me vingar - tá aí uma coisa boa! Mas confesso que até sinto saudades das briguinhas porque não juntei o cocô do cachorro, deixei o banheiro molhado, porque tem cabelo pela casa toda, porque não arrumei a cama, porque deixei o cachorro entrar em casa, porque a música tá alta ou porque eu e minha irmã cantamos e rimos alto demais pra lavar louça… uns segundinhos de saudade.
Pois é meus caros, fiquei velha. É sexta-feira de feriado e estou em casa tomando coca-cola e comendo deditos. A-ha, chinelo de dedo, banheiro cheirando à Q-boa, cabelo amarrado, Zaratustra à frente e essa bagunça pós-moderna da imagem acima por todo lado. Aliás, vocês conseguem identificar tudo o que tem nessa foto? Vale uma música do A-ha. Agora me dá licença que vou ali no bar tomar uma cerveja, senão não vou conseguir dormir; afinal de contas, tenho que manter o respeito adquirido.
Do que consegui identificar, o mais importante é a tampinha de Antarctica.
ahhh, claro! coloquei ela ali só pra saber quem eram os amigos cachaceiros
Gostei tanto do seu primeiro post que estou passando por aqui! E veja, será que temos em comum assim ou será que somos de uma geração fadada à nostalgia! Sei lá! Em todo caso, parabéns! Vou voltar sempre. A propósito, assisti a um filme repetido (outra vez), e ainda viajo tanto que quero trocar meu nome para Nuwanda! Que acha?
Um abraço
Que filme é? Quanto à nostalgia, é boa, gosto dela. Mas às vezes confesso que me dá vontade de desmemoriar só pra reaprender a ver algumas belezas sutis do mundo… ora lá, ora cá. Bjão.
Olá! Não pense que esteja ficando velha… Velha são aquelas pessoas que não carregam consigo experiências passadas.
Muito bom o seu blog, e quem o indicou foi um amigo jornalista “Jean Piter Inzaghi”.
Um abraço e tenha outras ótimas lembranças, para compartilhar conosco.
Pois é Mariana, sabe quando cheguei à conclusão da velhice? Quando comecei a gostar das músicas que meus pais ouviam - o que antes detestava ehehe. Mas envelhecer é algo inevitável para o corpo… o importante é não deixar atrofiar a mente, as idéias, o espírito. Abraços!
parece foto de cena de crime.
obs: a tampinha é de malzebier
hmmm, você é ‘perita’ em fermentadas, eu havia esquecido. quanto à cena, comporta vários crimes: alguns deles: comer kinder ovo e cheirar cola bastão heheh
?
???
Você escreve bem… adorei seu texto. Direto do seu mundo particular, mas cheio de detalhes que tem a ver com outras pessoas…
De vez em quando encontro coisas que me trazem lembranças de uma didade que não volta mais.Nostalgia é uma coisa interessante: nela uma pessoa se perde, volta e algo readiquire significado.
Muito legal você ter postado aqui, espero que escreva mais…
Abraço.
Oi Letícia, obrigada por ter vindo até aqui partilhar de minhas lembranças. Fico feliz de, de alguma maneira, ter tocado em algumas das suas. Um beijo, até breve.
Parabéns, gostei demais da estória da velhice, é exatamente assim q me sinto. Conhecí uma galera muito legal q se tornaram meus amigos, só q mais novos q eu 3 e 5, então eles não conhecem as músicas q conheço.
Oi Ana Maria, a nostalgia é interessante, às vezes dá vontade de chorar, às vezes de rir porque antes éramos tão inocentes, às vezes ridículos, é interessante. Beijos e obrigada pela visita!