Cumulus nimbus
Postado em June 1, 2007
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Lembro-me como se fosse ontem: numa aula de geografia, na quinta série, descobri que até as nuvens tinham nome.
E eu que pensei que pelo menos elas - as inalcançáveis nuvens fofas - estivessem livres de classificações.
Até então eu as chamava como bem entendesse e cada uma levava o nome daquilo com o que se parecia: “urso brabo”, “cavalo”, “homem de nariz grande”, “castelo mágico” - esse era o meu exercício metafórico diário.
Depois que aprendi que os nomes corretos eram cumulus, cumulus nimbus, cirros e stratus, as formas desapareceram e eu parei de olhar para o céu. E quanto mais eu avançava na escola, mais aprendia a classificar as coisas, até o momento em que a poesia com a qual eu vivia o mundo sumiu.
A partir de então passei meus dias com a cara enfiada nos livros; aprendi uma infinidade de coisas pela experiência dos experientes e o que mais pesava enquanto eu caminhava não eram os livros que eu carregava, mas sim o buraco deixado pela renúncia à poesia.
Cumulus Nimbus são nuvens densas e enormes que só podem ser vistas por inteiro a longas distâncias, assim como o passado, que também nos exige o distanciamento necessário à compreensão de sua beleza e complexidade. Que venham os trovões, relâmpagos, chuva, granizo e tornados que os acompanham.
Esse blog é o passo inicial para o desenvolvimento de um projeto de web-arte engavetado já há algum tempo e que tem por objetivo registrar e cruzar memórias aleatoriamente para depois perdê-las em meio à contaminação provocada pela interatividade na rede.
O primeiro passo está dado. Trago apenas um guarda-chuva, os pés molhados, um frio nos ossos e não me recordo agora do nome da minha professora de geografia.
Manoela, parabéns pelo novo blog! Eu amo as nuvens, as estrelas…, mas saiba que você também está dentro do meu sublime.
… nós = “mais que as estrelas”…
estranho ler isso depois de ter me tornado professor de Geografia e de constantemente reafirmar minha preocupação com a pequena poesia das coisas…
[que responsabilidade apresentar aos pequenos os nomes das coisas que os experientes criaram…]
prazer conhecê-la, Manoela.
beijo.
os professores mal sabem do que são capazes… bem vindo thiago!
Muito me apraz o signifiado que a srta. dá às coisas, mínimas ou não. Um abraço, vizinha.
sim ed… significado e sentido… para poder caminhar mais leve.
Ainda bem que não prestei atenção nessa aula, talvez por isso até hoje brinco com as núvens…
é porque sua professora era chata hahah, bjo irmã
Genial! Admirável! Como me indenfico contigo! Tem precoce um admirador que sempre passará por aqui.
um abraço
À espera de novos posts, moça.
post feito, falta a visita agora, abç!
Muito bom o seu blog!
Palavras desenhadas e ritmadas,sinto-as!
Até o próximo post.
Olá Mariana, seja bem vinda, a vida é feita disso: desenho e ritmo
um beijo
Esse texto é lindo, lindo … vou recomendá-lo, OK?
Beijo
Claro querida, pode recomendar!
Olá…
Só gostaria de dizer que as nuvens têm dez classificações, divididas em três grupos:
* Altas - Cirrus (Ci), Cirrocumulus (Cc) e Cirrostratus (Cs);
* Médias - Altocumulus (Ac) e Altostratus (As);
* Baixas - Stratus (St), Cumulus (Cu), Nimbostratus (Ns), Cumulonimbus (Cb) e Stratocumulus (Sc).
Sim, elas são escritas EXATAMENTE desta forma e suas abreviações também. É lógico que depois têm várias classificações para cada tipo de nuvem.
Espero ter ajudado.
Olá Marina, tudo bem?
Obrigada pela informação a respeito da classificação das nuvens!
Pelo jeito aprendi com um errinho, lá nos anos 80. Como trabalho com os fatos da memória, adoto o “cumulus nimbus” mesmo. Mas é ótimo saber que o correto é Cumulonimbus.
Um beijo, obrigada!
Manoela
frase do livro recem editado de uma artista ja idosa(tem uns 90 anos), negra culta, super competente, moradora de Santana D´Armação dos Buzios - Rio de Janeiro - ela começou fazendo talhas e este verão me disse que ia expor em Punta Del Leste. Ela esta um broto!
Titulo: Buzionautas
- E o bolo de chocolate?
Era o que faltava em nossa conversa.Ele nao esqueceu certo bolo de chocolate
Oi Rosane, sim, e o bolo de chocolate? Bem que eu queria uma prosa à beira-mar com bolo de chocolate, gaivotas e um suco bem gelado. Bjinho
É tão bom passear pelas tuas palavras, sentindo a ingenuidade infantil que as tuas experiências exalam. Por favor, entenda ingenuidade infantil como um elogio.
Gosto do seu estilo de escrever, foi uma grata surpresa.
Beijão.
Oi Attila, sim! Com certeza recebo como elogio
Que bom que veio visitar meu canto nublado. Volte mais vezes… a correria às vezes me toma e demoro para postar, mas não há abandono, apenas intervalos. Um beijo!
Manoela
Oi Manoela!
Fiquei encantada com suas palavras.
O nome da professora de geografia não importa, levando em consideração àquela aula, onde vc pôde conhecer e aprender a classificação das daquelas nuvens brancas, fofas e em formatos diversificados. Hoje podemos dizer que vc aprendeu o que nem vc imaginava. O encanto pelas inalcançáveis nuvens fofas ainda está presente em sua vida, a duras penas, do contrário não teria nos deliciado com suas memórias. Volte a olhar, tudo a sua volta com os olhos da poesia, não somente as nuvens, e verá que o encanto só está adormecido dentro de vc, à diferença é que ao olhar cada nuvem branca e fofa vc também poderá reconhecê-las pelo nome, isso é conhecimento. O encanto continua dentro de vc, basta despertá-lo. A realidade do cotidiano precisa ser vivenciada dentro da escola, seja em forma de poesia, de encantamento ou até mesmo de indignação, não importa. Não vivemos num conto de fadas, mas não precisamos fazer com que a realidade seja mais dura do que já é, realidade e poesia podem e devem caminhar juntas.
Estarei apresentando o seu blog para os professores da rede pública municipal, principalmente de geografia, uma forma prazerosa de ensinar geografia, a partir do encantamento das inalcançáveis nuvens fofas.
Sou professora de geografia e de informática na educação e apesar da nomenclatura sou vidrada nas inalcançáveis nuvens fofas. Abraços!
Olá Marília! Adorei seu comentário, obrigada pelo carinho. Eu tenho alguns ressentimentos da época da escola, principalmente até a oitava série. Mas era um tempo em que talvez os professores nem se dessem conta da enorme influência que podem exercer sobre a vida dos alunos… os professores podem ser os reponsáveis pelo amor e pelo ódio que venhamos a sentir por determinadas áreas do conhecimento. Agora, sem sombra de dúvida: os professores dos quais eu nunca esqueci o nome foram aqueles que tinham paixão pelo que ensinavam, deles eu me lembro bem: professora Maria Elisa (que virou minnha madrinha, foi minha professora da primeira série), professora Jucélia de ciências, professor Silvino de português (querido demais!), professor Gastão de história… os olhos de alguns professores possuem brilho… de outros não. Agora sou professora e procuro não perder esse brilho nos olhos. Beijos!