Lá Pá!
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September 27, 2011
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Cá pra nós, de Santa Genoveva pra Santos Dumont tem tanta diferença!
Meu espírito andarilho grita dentro de mim.
Hoje é terça-feira.
Cheguei agorinha ao Rio num pouso quase sobre as águas do mar.
No horizonte: morros em linda linha num fundo dourado pelo sol das 17h30.
No táxi: a fala. O inconfundível sotaque carioca.
Os temas: o Rio nem é tão violento assim; o Rock in Rio está muito caro; o carnaval já não é mais o mesmo, mas o carnaval de rua está ficando bacana. Ok, o papo e o sotaque foram legais… mas a corrida dali práqui deu 38 pilas. Caro está é esse táxi!
Hotel Villa Rica. Lembrei-me de um Brasil do século XVIII, da época do ouro, das Minas Gerais, do quinto… o povo nunca deixou de ser explorado, essa é que é a verdade. Está estampado nas ruas.
Lapa: centro belo. A poética da decadência. Fui à padaria comprar Piraquê, cê pira? Afinal, estou na terra do salgadinho com desenho de Lygia Pape. Na volta comprei O Globo e, na sequência, topei com Cecília Meireles na Rua da Glória. Ela me disse ali da calçada: “Escolha o seu sonho”.
É o que estou fazendo agora.
toneladas de solidão
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May 8, 2011
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Peguei mais um filme andando na TV a cabo.
Gosto das minhas assemblages fílmicas.
Dessa vez, como noutras, observei a qualidade das imagens.
Depois me demorei no tempo do filme, largo, lento, infinito.
Em seguida, histórias de vida, olhares demorados e a música.
Uma reunião de anti-heróis, pessoas simples com problemas corriqueiros.
“Toneladas de solidão” – essa foi a fala que me fez fixar a atenção.
Um músico doce, silente, deslocado, sem final para a sua música.
Paredes, berço, bebê dormindo, no tempo espaçado do cotidiano.
Uma solidão tão pesada quanto toda a areia do deserto…
Ou, para mim, equivalente ao peso de toda a água salgada
das lágrimas que aumentam o mar.
O filme: The Band’s visit – http://www.sonyclassics.com/thebandsvisit/main.html
as voltas que o mundo dá
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April 23, 2011
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Sim. Quase uma translação.
Esse tem sido o meu parâmetro temporal de retorno ao CumulusNimbus.
O planeta navega ao redor do sol. E eu com ele.
Navegar é preciso. Estou aqui, quase um ano depois.
Marco Polo pronto a contar suas aventuras.
Enquanto escrevo, não sei bem sobre o que escrever.
Posso escrever sobre tudo. Ou sobre nada.
Posso escrever sobre perdas,
desejos, planos, alegrias,
pessoas, bichos, coisas,
acontecimentos, lugares.
Mas hoje não. Nada disso me interessa agora.
Simplesmente entrei em casa e estou a sentir o cheiro de mofo.
A olhar para essas paredes. Binárias.
Hoje vou apenas preencher essa caixa de texto.
As letras mancham o espaço branco: palavras vazias que preenchem.
linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça linguiça.
Agora se enche linguiça sem trema (como enguiça ou preguiça).
As rotações têm sido intensas.
Há muito para contar sobre as inquietações da vez.
De pouso em pouso, darei um pulo por aqui.
Talvez para dar corpo a alguns roteiros urgentes.
Em breve.
por enquanto, insisto em decolar toda manhã
o bolo está no forno…
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April 29, 2010
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Hoje tantas coisas me fizeram ter vontade de voltar ao Breviário!
Coisas leves.
Coisas flutuantes.
Envelhecimentos.
Mas o bolo está assando, não posso me demorar.
O fato é que TerraSonora está rodando, o calor do forno se espalha devagar e as memórias tilintam.
Estava ali, untando a fôrma*: uma das mãos cheia de margarina, a colher pousada na massa dentro da vasilha azul.
O novo anel em meu dedo tem uma gravação das coordenadas de Curitiba: uma bússola e uma nova amizade.
A bússola aponta para o raspar a vasilha (que não é aquela, mas é azul como antes), para o lamber a colher (que é aquela de tantas massas já lambidas) e para os gestos hereditários.
A nova amizade aponta para um re-afeto, uma re-descoberta do berço, um peito-aberto para a cidade que um dia foi minha. E agora tenho Curitiba novamente na mão direita, uma aliança, um norte.
O bolo cheira! E eu tenho que ir.

.
*deixem o circunflexo viver
pra você viver mais…
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February 9, 2009
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“Vou avisar alguns amigos do Heinz a pedido da mãe dele e acho que o orkut é um jeito de fazer isto. O Heinz faleceu, inacreditável, mas é verdade. O corpo será velado ho Cemitério Bom Fim em são José”.
Recebi esse scrap no dia 3/2/9 de uma pessoa que eu não conheço, chamada Mariania. Num primeiro momento veio a descrença. Depois, ao vasculhar amigos de amigos no orkut, vieram a constatação e a surpresa. Em seguida, a sensação de impotência e a lamentação. E, ao lamentar, automaticamente vasculhei minha memória em busca de lembranças que me trouxessem a imagem do Heinz. Foi aí que o choro compulsivo se fez presente resultante não só da tristeza da partida desavisada de alguém muito querido, mas também porque são esses momentos que revelam a realidade da vida que se tem vivido até então: tudo tem sido rápido, superficial, compulsivo, solitário e frágil…
- Qual foi a última vez que você olhou profundamente nos olhos das pessoas que você ama? Faz tempo, eu não me lembro…
Heinz foi meu aluno na sexta série… isso foi em 2002, em Curitiba. Ele fazia parte de um grupo de alunos que eu admirava (e ainda admiro) muito: perspicazes, criativos, com aqueles olhinhos questionadores atentos aos deslizes dos professores. A aproximação que costumeiramente tenho com muitos alunos e ex-alunos é decorrente das afinidades: também adoro jogos, ficção, aventura, epopéias, discovery channel, extraterrestres, o sobrenatural, filmes trash, desenhos, animações, internet, youtube… claro que não possuo o frescor da informação que eles detêm, mas contribuo com o que posso. Lembro bem, por exemplo, que o Heinz adorava ler sobre Roma e o Império Romano naquela época… usava a saudação ‘Ave César’ e como eu adorava aquilo!!! Eu era professora de Artes e lecionava história da arte: estudávamos ‘Roma’. Foi devido a conversas rápidas com Heinz e alguns outros meninos que resolvi levar o episódio da corrida de bigas do filme Ben Hur para a sala de aula… acho que eles curtiram eheheh
Talvez tenham até se surpreendido com o fato de um filme tão velho conter cenas tão interessantes.
http://www.youtube.com/watch?v=pbQvpJsTvxU
Depois, quando minha mudança para Brasília tornou-se um fato, resolvi jogar algumas sementes aos meus pupilos do Colégio Nossa Senhora de Sion: com o filme The Wall quis 1. Apresentar-lhes o bom do rock dos anos 70/80 e 2. Deixar um recado importante: ‘questionem e criem sempre!’ Seria polêmico, mas fiz tudo na surdina heheeh. E claro, antes que censurem essa parte do filme, lembrem-se: destruir a escola aqui é uma metáfora. É preciso perceber e destruir toda e qualquer amarra do espírito livre, criativo e ousado. Falar, escrever, perguntar, mudar, contradizer-se: é isso!
http://www.youtube.com/watch?v=YnHm-vQGsUw
Então parti. E foi com a partida que me aproximei de alguns. Heinz foi um deles. Mantivemos contato via orkut e msn e foi assim que fiquei sabendo de algumas coisas que estava fazendo e curtindo: o estudo da cultura e do idioma alemães, a vontade de fazer um curso superior na área de rádio e tv, sua paixão pelo hockey, basquete…
E vez por outra ele me presenteava com palavras. Guardo-as como um tesouro de valor inestimável:
17/06/06
“Fosse eu bom em versos
Fosse eu um mago do “rimar”
Fosse eu tu, dos anjos, ao inverso
Fosse eu tu, da arte, sem precisar pintar
Fosse eu tu, Manoela, uma grande pessoa e amiga criativa.Parabéns querida Manu!!!
Muitas felicidades, sonhos, realizações, diários de bordo, arte, e tudo que seu grande e fascinante mundo engloba, que possa compartilhar com milhares de pessoas seu jeito especial e cativante de ser.
Que nos dias chuvosos e tempestuosos possas iluminar a mais escura das casas com seus sorrisos e contos de esperança.”
—
17/09/06
“Putz, realmente perfeita a faculdade, mas eu n sei mto sobre a instituicao e tal, se eh particular, se tem aki em Curitiba, qual a projecao dela no mercado e tal…Eu tava pesquisando e vi q da pra fazer Comunicacao Social e depois enganchar numa especializacao Radio/Televisao, mas sera q n vai perde mto conteudo? Ate pq essa q me passase tem um conteudo realmente mto bom, e eh ate mais do que eu esperava. Bem, por hora fico muuuuuuuuuuuuuuito agradecido pela forca! Quando eu tiver no ar numa radio estourando com 100% da audiencia nacional lembrarei teu nome! heheheheh xPQue seja sempre, e sempre mesmo, a querida e maravilhosa pessoa que conheci, e que posso dizer a todos que é minha amiga, mais que isso, a inspiração de minhas produções artísticas (não se importe pelo fato de serem fajutas).Após tantas preposições, e palavras talvez sem nexo, posso dizer de todo peito: Parabéns Manu!!!
DD Muitos anos de vida e, é claro, um pedaço de bolo pra mim!”
—
28/11/06
“Professora, seja o que vier de ti, eu aceito. Mto obrigado por lembrar de mim =) Um grande e fote abraço seguido dum beijo pra ti, te cuida, artista! “Não vá fazer arte hein!?” Ambiguidade!”
—
18/06/07
“Mas olhe, cada vez que eu vinha aqui pra dar parabéns um dos rebeldes aqui de casa me chamava pra fazer algo, que perseguição!! Fiiiiiiinalmente pude vir aqui agora dar os doces parabéns à minha querida, e balzaquiana, professora de história da arte da sexta série
E eu desejo, nada mais, nada menos que, tcharaammmm… arte! cor! vida! sensacionalismo na pintura! curvas! perda de sentido! Balzaquismo, minha querida!
Tudo de bom, professora!”
—
17/06/08
“Ora, mas que pífio, Manoela!
Mais um ano fazendo artes, huh? “Goianiense” arteira!
Então muitas pinceladas ainda pra você! Muitas xilogravuras, recortes, colagens, cultura, leitura e essa santa porcariada artista que precisa sempre estar movimentando o mundo e sendo roubada daqueles tais de museus, apesar de não saber bem o que são tais casas da prostituição profana da arte. Mas tudo bem, eu acho.
Que sua vida seja tão próspera quanto a beleza, das obras, “professora”!Um abração, e eu nunca esqueci de nossas aulas e comentários sádicos, viu?
Heinz ”
—
03/07/08
“Ah, minha querida Manu, e se eu te dissesse que ando tendo as crises existenciais, também? Adoraria filosofar contigo a vida chata e machadiana cotidiana um dia. Seria ótimo para uma lavagem.
Teu pai estava mais que certo, mas nunca deve-se tirar um artista de seu caminho: a prostituição das artes e a aniquilação dos costumes.Saudades medonhas, profe! =/ Ando a todo vapor mesmo! Ando escrevendo muito e tô quase catando um empreguinho de editor num jornal de bairro aqui, não é remunerado, mas é escrito, entende?
Jornalismo e História sao minhas áreas e, ahhh, que ares mais gostosos de se encher os pulmões cerebrais!Nos encontramos por aí mesmo, ou alí, o que importa é que seja na mesma humildade e distração da primeira vez: falando de algum tipo cômico de arte.Um beijão!!”
—
28/11/08
“Manu, meus sinceros, emocionados – de verdade – e saudosos agradecimentos pelo seu depoimento!
A lembrança vale mais que qualquer presente.
Obrigado, mesmo, por favor meu dia já começar feliz!”
—
Heinz, como você foi partir assim? E eu que te prometi um livro de poesias, peguei seu endereço mas nunca te escrevi. No corre-corre fiquei em débito contigo… e também pensava: nossa, de que poesias uma pessoa crítica, inteligente, sensível como o Heinz poderia gostar? Deixo aqui para você um poema do qual gosto muito: chama-se ‘O mistério das cousas’, de Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos:
O mistério das cousas, onde está ele?
|
Descanse em paz querido amigo… saudades infinitas.
Todos os dias, se você estiver atento, poderá presenciar o milagre do nascimento. E é também diariamente que a morte encerra ciclos e ensina que, apesar de nos sentirmos eternos, o “para sempre” não existe. Todos nós morremos e levamos conosco o mundo tal qual o conhecemos. Ninguém, por mais íntimo que seja, pode fazer com que o seu pedaço de realidade exista sem a presença do seu corpo pulsante no mundo. Mas ressoar na lembrança é possível sim. E é uma forma de existência.
Que o Heinz viva um pouco mais através desse texto. Recados deixados por amigos em seu orkut revelam todos os dias um pouco mais a seu respeito. Ler esses depoimentos transformou-se numa espécie de oração: são minutos em que tenho o pensamento completamente voltado para você, Heinz. Minutos em que vivo o meu luto e procuro não esquecer da sua bela passagem pelo mundo. São minutos pra você viver mais.
em breve…
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December 6, 2008
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em breve uma história de abandono e nascimento, aguardem!
por enquanto confiram no cartaz abaixo as estrelas dessa história:
chamados…
Postado em
September 29, 2008
Categoria: Daily routes | 8 comentários
meados de 2006: no meio da madrugada acordo de supetão. sento na beirada do colchão e olho para cima, sonolenta… imediatamente vejo algo que estava lá como que só esperando para ser visto: dois discos feitos de luz verde. um chamado? eles não possuíam matéria, eram feitos de quadrados giratórios verdes fosforescentes. e eram dois: um ficava mais em cima e o outro, logo abaixo, posicionado em diagonal. tudo aconteceu muito rápido: acordei-sentei-olhei para cima-vi os discos-acompanhei seu movimento até sumirem no fundo do cômodo. por alguns instantes pensei: devo estar maluca… então voltei a dormir.
essa experiência ficaria guardada e/ou esquecida na minha memória se não fosse outro fato muito estranho…
ainda em meados de 2006: certa vez peguei um táxi. eu havia acabado de chegar de brasília na rodoviária de goiânia e já era tarde da noite. para a ‘alegria’ do meu lado impaciente, tive a ‘sorte’ de pegar um taxista falante… papo-vai-papo-vem e eu dizendo muitos ‘uhum… sei… ah é?… ahã…’ - resquícios da simpatia curitibana. e não é que lá pelas tantas eu me interessei demais pelo assunto? sem mais nem menos o moço-taxista começou a relatar fatos muito estranhos… a coisa começou nas suas pescarias com a família no rio araguaia e, de repente, ele começou a relatar seus contatos imediatos… fiquei mais muda do que já estava. quando ele revelou o que sua filha havia visto num de seus últimos acampamentos no meio do mato, gelei: discos de luz verde no tamanho de pratos de sobremesa… exatamente como os que eu havia visto dentro de casa!
euforia! euforia!
segundo o taxista, são sondas alienígenas que realizam coletas de pesquisa aqui no planeta terra… e eu fiquei a me perguntar o que é que poderiam estar pesquisando dentro do meu caos particular!? meu gato, as aranhas, as lagartixas, os livros de arte, a poeira, o que poderia interessar a seres extraterrestres dentro do meu cafofo?
bom, depois de ouvir o relato do taxista, contei-lhe sobre a minha experiência. e a partir de então, contei para marido, pai, mãe, amigos, irmãos, e todos que quisessem ouvir minha história sem cabimento…
em 2008: é aí que entra o terceiro fato estranho: há alguns meses contei o ocorrido para um amigo extremamente cético. ele é médico legista, artista, estuda psicanálise e não acredita em muita coisa, a não ser que possa ser calculada, provada, estimada, enfim… depois que lhe contei a história toda, ele disse em tom clínico: -você pode ter alucinado durante um sonho… mas vou te contar uma coisa que aconteceu uma vez: há algum tempo eu estava com um grupo de colegas médicos num evento de medicina… já era tarde, fomos jantar num restaurante que estava quase fechando. a porta do estabelecimento estava entreaberta. lá pelas tantas, uma bola de luz verde entra pela porta, sobrevoa o espaço interno, e sai novamente pela porta… todos ficaram em silêncio, limitando-se apenas a perguntar uns para os outros: você viu? vi… então tá bom.
e agora passo a vida a esperar que a nave venha me buscar, como naquela linda cena do memorável “contatos imediatos do terceito grau” de steven spielberg (1977)… sobretudo naqueles dias em que o trânsito está uma merda, os desejos se revelam medíocres, os projetos parecem um tanto limitados, tudo o que é vivo no planeta sofre as conseqüências do convívio com a raça humana, a qual se auto-destrói com requintes de crueldade como num espetáculo bárbaro maravilhoso… é nesses dias-limite que eu sinto que a vida no planetinha já deu-pra-cabeça. eu gostaria mesmo é de subir nesta nave musical e conhecer o outro lado do aquário…

Imagens: 1. eu em brasília, foto por miguel ambrizzi (não seria brasília uma grande nave enguiçada?) 2. cena do filme “contatos imediatos do terceiro grau”.
coração de estudante
Postado em
June 18, 2008
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Postal no formato A4 feito para participar da Mostra Internacional de Arte Postal – evento divulgado pela amiga artista Constança Lucas. O tema é “Coração de Estudante”, por conta do dia 11 de agosto – Dia do Estudante.
Nada melhor do que dizer aqui o que eu sentia nos tempos de escola mas não tinha coragem de falar a ninguém.
Se você quiser participar é só enviar um postal no formato A4 até o dia 20/06/08 para:
Mostra de Arte Postal
A/C Carolina Ruoso
Rua Barão de Aracati, 1552
Aldeota – Fortaleza/CE
CEP 60115-081
“sem recusas, sem censura, todos os trabalhos serão expostos” (assim diz o regulamento)
Sitpass não é Paz na City
Postado em
May 20, 2008
Categoria: Daily routes | 21 comentários
… essa grande sacada é da Daniela Oliveira, colega de mestrado que foi minha vizinha aqui em Goiânia. Realmente, ela disse tudo. Sitpass (http://www.sitpass.com.br/) é o nome do bilhete/passagem que nos permite circular de ônibus pela cidade… e definitivamente ele “não é paz na city”.
Eu nunca passei tanta raiva ao usar um sistema de transporte coletivo na minha vida. Dentre os poucos que conheço ao perambular por aí, o de Goiânia está como o primeiro nos quesitos “péssimo, caindo aos pedaços, tosco, quente, barulhento, sujo e até perigoso”. Já fiquei presa pela mochila na porta de entrada de um ônibus, já quase fui atropelada – na calçada – por um ônibus que enconstava no terminal Praça da Bíblia, já vi um menino de uns 5 anos ficar pendurado na porta (foi assim: um homem que parecia ser o avô da criança descia do ônibus junto com o menino… pegou na mão do muleque e fez com que ele descesse na frente, depois veio atrás sem soltar a mãozinha do pequeno… e isso foi o que salvou o guri: o motorista fechou a porta e arrancou no meio dessa operação. Então ficou o avô para dentro do ônibus e o menino – pendurado pela mão – para fora… e o ônibus andando!
Revoltante.
Recomendo a todos: se você vier passear na terra do pequi, ande de ônibus. É uma experiência única. Você passará calor, ficará irritado devido ao barulho (proveniente do motor, da bateção de janelas velhas, das pessoas gritando, da porta batendo ao fechar…), não receberá respostas aos seus “bom dia” proferidos aos motoristas… na realidade, muitos deles são de dar medo… já briguei com alguns mas depois fiquei temerosa… vá saber até onde vai a tosquice dessas pessoas brutas?
E para confirmar essa história toda, vejam a HQ do Eduardo Spicacci, estudante de design gráfico na UFG… é minha gente, não estou mentindo não!
*** Observem bem o desenho da imagem 4… acreditem, é exatamente assim!
shine!
Postado em
April 25, 2008
Categoria: Guardados | 31 comentários
Mais uma vez vasculho as pilhas que edificam meu universo particular. A cada centímetro percorrido, um infinito diferente. Outros tempos, outros espaços.
Encontrei algo muito brilhante dentro de uma pasta de papelão que estava entre muitos papéis, que estavam dentro de um plástico, que estava dentro de uma pilha composta pelas Cartas a Théo, por uma pasta canaleta preta, e plásticos, e papéis, tubos de tinta a óleo, flanela, escova de prancheta, pincéis chineses, lâminas para estilete, pó, pêlos amarelos de gato.
Tudo muito bem equilibrado em cima de um banquinho vermelho.
Leis da gravidade.
O brilho aumentanva à medida que eu adentrava nessa selva: tirei os objetos, depois os livros, depois a pasta preta, depois os papéis… cheguei ao plástico. Abri-o. Retirei as pastas, os papéis… e o brilho aumentava.
Encontrei um coração. Nele, um pedido:


E eis que vem o choque: diante da brutalidade, da estafa, da rotina, do cumprimento de tarefas, das relações estagnadas, da automação: a poesia. Sempre ela. Brilhante. Regeneradora.
O poema hoje é o pedido por mais brilho. Enquanto lá fora o mundo concretiza, segundo a segundo, o ritual autofágico que abastece a máquina-sistema, a criança só pede brilho.
- Deixa a gente usar a porpurina por favor!
Você tem porpurina para emprestar? Meus olhos têm pedido brilho… têm perdido brilho.
***
Quando eu era professora no Colégio Nossa Senhora de Sion, em Curitiba, por volta de 2002, de vez em quando recebia esses bilhetinhos das alunas. As meninas eram loucas por purpurina, mas geralmente o brilho é algo caro. Mas regular o brilho é uma maldade. Era impossível não ceder a esses pedidos em forma de coração. Como fadinhas, elas queriam colocar brilho em tudo: no desenho, nas unhas, nas mãos, no rosto, no mundo. Mal elas sabiam que o brilho é a própria infância.
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