Benjamin e a aura de Gentileza

Passei as duas últimas semanas tentando pensar em algo para escrever sobre o Profeta Gentileza. Por algum motivo, essa figura folclórica, que sempre me fascinou, não saía de minha cabeça. Começou quando li, no Jornal do Brasil (sim, ele ainda existe, embora…), um texto que relembrava o incêndio do Gran Circus Norte-Americano, em Niterói. A […]

Como nasce um artista

Não tem funcionado, nos últimos tempos; mas, historicamente, a França sempre foi o país mais eficiente em termos de auto-promoção. Neste início de século, talvez eles ainda creiam que são o mais culto dos países, onde se faz a melhor arte, a melhor cozinha, em suma, o melhor qualquer coisa que não seja “essa cultura […]

Do inútil (ao fútil)

Já ouvi dizer, inúmeras vezes, que a arte é inútil. E está certo. Aliás, certíssimo. Embora um olhar panorâmico revele uma infinidade de funções ou utilidades possíveis para a arte, embora se possa perfeitamente ver nela muito de educativo, político, catártico, psicológico e assim por diante, embora o ser humano seja incapaz de viver sem […]

Sobre um encontro fortuito

Estive, por esses dias, com um amigo que não via há tempos. O sujeito tinha, para colocar em poucas palavras, desaparecido. Ficou semanas sem falar com ninguém, sem dar notícias, sem aparecer. De repente, eis que nos esbarramos, num caminho inabitual; não é o meu, tampouco o seu. Tive a sensação de que ele quis […]

Hominídeos de Kubrick e monstros do Rio

 Alguns meses atrás, quando assaltantes, sob o efeito das drogas e da nossa atávica incapacidade de ser uma nação, arrastaram um menino de seis anos por uma avenida da Zona Norte do Rio de Janeiro, meti-me numa discussão acerca da natureza humana ou, em outras palavras, da definição do humano. Foi um momento delicado do […]

Por quem esses suspiros?

Você me disse, uma vez, que nasceu na década errada. Que nossa época não tem a menor graça e nada de extraordinário acontece. Você torce o nariz quando faço menção à tal Web 2.0, aos blogs, à comunicação instantânea através do globo terrestre. MP3, você diz, lhe dá sono. Fim dos discos? Fim do papel? […]

De como a estética explica o mundo. Parte II: Política

 Missão ingrata, essa em que me meti. Dizer que, até mesmo na política, a dimensão estetizante da mente humana tem um papel fundamental! E, mais grave ainda, dando como exemplo mais visitas a igrejas italianas, como na primeira parte da série. Mas não posso voltar atrás na opinião, nem na determinação. Fica, então, decretado que, […]

De como a estética explica o mundo. Parte I: Teologia

 Acordamos cedo em Turim; às oito, já estávamos na rua, descendo em direção ao centro. Como sabíamos que nada estaria aberto, tomamos a única decisão possível. Apenas circular, quase sem rumo, por entre as varandas e sacadas. Foi uma atitude sábia. As avenidas são agradáveis, a arquitetura é bela, a cidade vale a pena. Não […]