<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!-- generator="wordpress/2.3.3" -->
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	>

<channel>
	<title>Beharren</title>
	<link>http://breviario.org/beharren</link>
	<description>Just another Breviário.org weblog</description>
	<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 23:07:19 +0000</pubDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.3.3</generator>
	<language>en</language>
			<item>
		<title>Independência da obra, morte do autor</title>
		<link>http://breviario.org/beharren/2008/10/15/independencia-da-obra-morte-do-autor/</link>
		<comments>http://breviario.org/beharren/2008/10/15/independencia-da-obra-morte-do-autor/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2008 23:48:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marlon</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://breviario.org/beharren/2008/10/15/independencia-da-obra-morte-do-autor/</guid>
		<description><![CDATA[Seguindo a linha de pensamento do texto do post anterior, tenho buscado em Roland  Barthes e em Heidegger um pouco de suporte à uma questão que me incomoda muito: a ligação entre autor e obra, entre artista e arte, sua existência e seus limites.

Em primeiro lugar, acredito na total independência da obra de arte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seguindo a linha de pensamento do texto do post anterior, tenho buscado em Roland  Barthes e em Heidegger um pouco de suporte à uma questão que me incomoda muito: a ligação entre autor e obra, entre artista e arte, sua existência e seus limites.</p>
<p>
Em primeiro lugar, acredito na total independência da obra de arte em relação ao seu autor ou em relação à qualquer coisa – ela é de uma forma e será, de acordo com cada leitor, de outra forma diferente, ou de outras formas diferentes, em progressão infinita (sem que esse termo se torne matemático).</p>
<p>Mas a obra de arte não seria dependente do artista? Essa pergunta pode parecer bem simples: é somente através do artista que a obra de arte se fará. Porém é também somente através da obra que o artista se fará, ou seja, não há artista sem arte. Esse é o círculo que Heidegger nos apresenta:</p>
<blockquote>
<p>A pergunta pelo originário da obra de arte pergunta pela proveniência de sua essência. A obra surge através e a partir da atividade do artista, segundo a opinião corrente. Porém, de onde e através do que o artista é o que é? Através da obra (&#8230;) O artista é a origem da obra. A obra é a origem do artista. Nenhum é sem o outro. Do mesmo modo também nenhum dos dois sustenta sozinho o outro. Artista e obra são em-si e em sua mútua referência através de um terceiro, que é o primeiro, ou seja, através daquilo a partir de onde artista e obra de arte têm seu nome, através da arte.</p>
</blockquote>
<p>Aqui, na introdução do livro “A origem da obra de arte”, Heidegger diz que “nenhum dos dois sustenta sozinho o outro”, se referindo ao artista e à obra. Tomo essa afirmação como verdade somente em um sentido metafísico, onde as existências de artista e obra estão ligadas “através de um terceiro, que é o primeiro, ou seja, (&#8230;) através da arte”. Considero a união artista-obra somente existente no tempo levado pelo processo de criação da arte pelo artista (ou do artista pela arte), ou seja: a obra, uma vez pronta e feita, se sustenta sozinha. Seu “obrar”, terminado o processo de criação, será agora entregue aos seus leitores, dentre os quais o próprio autor será um (“leitores” aqui tem o sentido amplo do apreciador, avaliador ou conhecedor de qualquer tipo de arte, e não apenas da literária).</p>
<p>No que isso tem a ver com o post anterior? Uma das questões que levantei e que também muito me incomodam é a diferença entre <em>dever </em>da arte e <em>poder </em>da arte. Disse que o único <em>dever </em>que a arte possui é o de <em>ser arte</em>. Mas quais os limites para uma coisa ser ou não uma obra de arte? É uma pergunta extremamente presente em nossas pós-modernices. Particularmente, acredito que o que determina isso é somente a consciência do artista de estar produzindo arte, resulte no que resultar. Já o <em>poder </em>da arte reside na sua independência, sua infinita multiplicidade de significados – significados esses desgarrados daquele que o autor lhe dá. Esse será só mais um dos possíveis, quando o autor virar leitor ao final do processo de criação. Barthes trabalhou facilmente muito dessa minha inquietação no artigo “A morte do autor”. Termino o post com o que ele diz:</p>
<blockquote>
<p>A explicação<em> </em>da obra é sempre procurada do lado de quem a produziu, como se, através da alegoria mais ou menos transparente da ficção, fosse sempre afinal a voz de uma só e mesma pessoa, o autor<em>, </em>que nos entregasse a sua “confidência”.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Assim se revela o ser total da escrita: um texto é feito de escritas múltiplas, saídas de várias culturas e que entram umas com as outras em diálogo, em paródia, em contestação; mas há um lugar em que essa multiplicidade se reúne, e esse lugar não é o autor, como se tem dito até aqui, é o leitor: o leitor é o espaço exato em que se inscrevem, sem que nenhuma se perca, todas as citações de que uma escrita é feita; a unidade de um texto não está na sua origem, mas no seu destino, mas este destino já não pode ser pessoal: o leitor é um homem sem história, sem biografia, sem psicologia; é apenas esse <em>alguém </em>que tem reunidos num mesmo campo todos os traços que constituem o escrito.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>O nascimento do leitor tem de pagar-se com a morte do autor.</p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://breviario.org/beharren/2008/10/15/independencia-da-obra-morte-do-autor/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre &#8220;Tropa de Elite&#8221;</title>
		<link>http://breviario.org/beharren/2008/10/04/sobre-tropa-de-elite/</link>
		<comments>http://breviario.org/beharren/2008/10/04/sobre-tropa-de-elite/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 04 Oct 2008 17:27:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marlon</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://breviario.org/beharren/2008/10/04/sobre-tropa-de-elite/</guid>
		<description><![CDATA[Após o Diego fazer uma bagunça aqui com o servidor do Breviário e meus dois últimos posts sumirem, sem explicação, como a ilha de Lost, re-posto o texto sobre o filme Tropa de Elite. Eu dizia que, desde que escrevi esse texto, na ocasião em que o filme estava em cartaz e em voga, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após o <a href="http://breviario.org/perambulagens" title="Diego">Diego</a> fazer uma bagunça aqui com o servidor do Breviário e meus dois últimos posts sumirem, sem explicação, como a ilha de Lost, re-posto o texto sobre o filme Tropa de Elite. Eu dizia que, desde que escrevi esse texto, na ocasião em que o filme estava em cartaz e em voga, não havia encontrado de nenhuma maneira, entre o enxame de palavras e besteiras faladas sobre ele, algum texto que se aproximasse, de algum modo, do que eu pensava. Há pouco tempo, conheci o articulista <a href="http://www.nivaldocordeiro.net" title="Nivaldo Cordeiro">Nivaldo Cordeiro</a>, e assim descobri <a href="http://www.nivaldocordeiro.net/tropadeelite.htm" title="um texto seu sobre o filme">um texto seu sobre o filme</a>, que, de certa forma, toca em alguns pontos do meu texto, que é esse que publico aqui embaixo.</p>
<p>***</p>
<p>Engraçado ver como o recente filme <em>Tropa de Elite </em>foi muito pouco, ou nada, encarado como arte. Por todo lado, o filme era tachado <em>bom </em>ou <em> ruim </em>de acordo com a opinião política de quem o estava criticando. Algo como dizer que <em>Guernica</em>, um dos mais famosos quadros de Picasso, é uma obra de arte<em> ruim</em> pois os bombardeios à Espanha civil eram necessários. Estamos cada vez mais imersos no vício marxista de tudo analisar de acordo com sua importância e função socio-política.</p>
<p><em>Tropa de Elite </em>apresentou questões-tabu da sociedade, e, a princípio, é de se estranhar o absurdo sucesso de um filme que traz em pauta drogas, corrupção e marginalidade, como se não estivéssemos rodeados dessas imagens e discussões, por todos os meios midiáticos, e como se também o cinema nacional já não se tenha esgotado disso (afinal, não há cinema mais repetitivo que o brasileiro). Mas esse filme traz algo a mais, algo como uma bolha de sangue-frio.</p>
<p>Quando o assisti, vi que a coisa mais fácil seria tachar sua bagagem política de idiota, pífia. A velha história de que não adianta nada o confrontismo policial como tentativa de solução se não estiver associado à grande e temerosa (no Brasil) revolução-base, capaz de dissociar grande número das indelicadezas a que estamos entregues: a educação, que exige um pensamento de extremo longo-prazo, um pensamento que, convenhamos, é inadmissível para a nossa classe política. Logo percebi também que é tão fácil quanto tachar sua bagagem política de inteligente.</p>
<p>Mas onde está a arte? Pelas falações esquerdistas por toda parte, o filme era dito fascista. Como, talvez, se Goya, ao pintar franceses executando espanhóis, estivesse defendendo tal medida social ou politicamente. Como, ao analisar <em>Guernica, </em>dizer que Picasso era um anti-totalitarista por estar representando o sofrimento da guerra causado pelos regimes ditatoriais da época. O <em>dever </em>da arte de <em>ser</em> <em>arte </em>sucumbiu.</p>
<p>Muitas das revolucionices e vanguardices do século XX tentaram embutir na arte o <em>dever </em>de ser engajada, o <em>dever </em>se comprometer com os problemas da sociedade. Nada que não seja de se esperar de um século onde, velado ou desvelado, o marxismo tomou conta de quase todos os campos do pensamento. Erram na pretensão da obrigatoriedade. Arte é <em>poder </em>com um único <em>dever. </em>Enquando <em>poder</em>, que seja ela de tudo: servente ou não-servente, útil ou inútil, engajada ou desengajada. Enquanto <em>dever</em>, o de ser arte.</p>
<p>Não existe mais a dissociação entre autor e obra. Não existe mais a análise artística, todos estão interessados é em saber se o sujeito é esquerdopata ou direitopata, se é fascistocrata, burocista, burguesionário ou pequeno-revolucionês.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://breviario.org/beharren/2008/10/04/sobre-tropa-de-elite/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Jerusalem</title>
		<link>http://breviario.org/beharren/2008/09/11/jerusalem/</link>
		<comments>http://breviario.org/beharren/2008/09/11/jerusalem/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2008 01:31:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marlon</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://breviario.org/beharren/2008/09/11/jerusalem/</guid>
		<description><![CDATA[Inicio hoje, a convite de meu amigo Diego, mantenedor deste Breviário – que acompanho, como leitor, talvez desde seu início e onde não falto a ler alguns de seus integrantes – este blog. Assim, para não fazer deste mais um dos inúteis posts de apresentação (não que os futuros posts não sejam, também, inúteis, pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Inicio hoje, a convite de meu amigo <a href="http://www.breviario.org/perambulagens" title="Diego">Diego</a>, mantenedor deste Breviário – que acompanho, como leitor, talvez desde seu início e onde não falto a ler alguns de seus integrantes – este blog. Assim, para não fazer deste mais um dos inúteis posts de apresentação (não que os futuros posts não sejam, também, inúteis, pelo bom e pelo ruim sentido da palavra – e serão), limito-me a dizer a total ausência de método que terei aqui.</p>
<p>***</p>
<p>Inicio, então, publicando uma tradução de uma iluminura do William Blake que fiz há pouco tempo – fiz, como ainda faço, por força que simplesmente impele – porque considero, no balaio de Eliot e de um concretismo às avessas, a inexistência da tradução de poesia, que pode funcionar, no máximo, como versão-introdução ao poema em si.</p>
<p><a href="http://i261.photobucket.com/albums/ii71/marlonrn/PrefacetoMilton-apoemJerusalem-W-1.jpg"></a></p>
<p><a href="http://i261.photobucket.com/albums/ii71/marlonrn/PrefacetoMilton-apoemJerusalem-W-1.jpg" title="Preface"><img src="http://i261.photobucket.com/albums/ii71/marlonrn/prefcioreduzido.jpg" align="bottom" height="208" width="148" /></a></p>
<p>“Jerusalem”, como é conhecido o poema sem título integrante do prefácio de “Milton: a poem in two books” (onde o personagem é o poeta John Milton que, como Virgílio a Dante na Divina Comédia, descerá dos céus a Blake), foi escrito em 1804 e, a partir de 1916, devido a sua orquestração por Sir Hubert Parry, ganhou popularidade e hoje é tido e considerado como o “unnoficial hymn” do Reino Unido – embora a mim não haja dúvida de que é muito mais belo do que “God save the queen”.</p>
<blockquote><p> And did those feet in ancient time<br />
Walk upon England’s mountains green?<br />
And was the holy Lamb of God<br />
On England’s pleasant pastures seen?</p>
<p>And did the Countenance Divine<br />
Shine forth upon our clouded hills?<br />
And was Jerusalem builded here<br />
Among these dark Satanic Mills?</p>
<p>Bring me my Bow of burning gold;<br />
Bring me my Arrows of desire:<br />
Bring me my Spear: O clouds unfold!<br />
Bring me my Chariot of fire!</p>
<p>I will not cease from Mental Fight,<br />
Nor shall my sword sleep in my hand,<br />
Till we have built Jerusalem,<br />
In England’s green &amp; pleasant Land.</p></blockquote>
<p>A mim me parecia uma ascenção estranha, para um país essencialmente cristão, a de um poema inspirado na história apócrifa, do banido Livro das Revelações, da visita do Jesus jovem à Inglaterra com fim de construir uma nova Jerusalém. Até que descobri a dobra interpretativa da igreja britânica, que passou a usar Jerusalém como metáfora do céu. Mas a tradução:</p>
<p>Do original, os octossílabos acentuados na quarta se transformaram no tradicional decassílabo heróico, acentuados na sexta – e a rima foi sacrificada. Força do desacordo lingüístico.</p>
<p>***</p>
<p>E andaram esses pés, em dias antigos,<br />
por sobre os verdes montes da Inglaterra?<br />
Foi o santo Cordeiro de Deus pelos<br />
seus adoráveis campos avistado?</p>
<p>Acaso sobre nossas nevoadas<br />
colinas reluziu o Rosto Divino?<br />
E foi Jerusalém aqui erguida<br />
entre negros Satânicos Moinhos?</p>
<p>Tragam meu Arco de ouro incandescente,<br />
tragam as minhas Flechas de desejo!<br />
Tragam a minha Lança: Ó névoa, se abra!<br />
Tragam a minha Carruagem de fogo!</p>
<p>Não me derrotarão Lutas Mentais,<br />
nem dormirá a Espada em minhas mãos,<br />
até Jerusalém aqui erguermos<br />
na adorável e verde Terra inglesa.</p>
<p>***</p>
<p>Diversos pontos ainda me incomodam nessa tradução, listo alguns deles:</p>
<p>1 - O verso “Tragam a minha Carruagem de fogo” não obedece à acentuação. Para fazê-lo obedecer, seria preciso sacrificar demais o verso original, por isso optei pela tradução literal, que tem dez sílabas porém acentua na sétima.</p>
<p>2 - Batalhei um bocado para que “Mental Fight” fosse traduzido por “Conflitos Mentais”. Novamente, em prol do não-sacrifício do verso, rendi-me a “Lutas” para satisfazer a métrica.</p>
<p>3 - O término do terceiro verso com “pelos” ocasiona uma dependência com o verso seguinte que não ocorre em nenhuma parte do poema.</p>
<p>***<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=xHTwQUe9P8M">http://www.youtube.com/watch?v=xHTwQUe9P8M</a> – Jerusalem de Hubert Parry na versão de Emerson, Lake &amp; Palmer.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=NiitzwuD-qU">http://www.youtube.com/watch?v=NiitzwuD-qU</a> - Jerusalem de Hubert Parry na versão de Avi.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://breviario.org/beharren/2008/09/11/jerusalem/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
	</channel>
</rss>
