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	<title>Beharren &#187; Poesia</title>
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		<title>Dois poemas para Gerardo Mello Mourão</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 22:20:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marlon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gerardo Mello Mourão]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Espécie de Coda (sob a leitura do romance &#8220;O valete de espadas&#8221;) Os homens de mil anos cá estamos, presos na vertical realidade a que ao bater o tempo o coração nos impõe. E há em cada acordar esse estranho nascer, espécie de Coda, que já não mais sabemos desígnios e deveres dos homens, nós, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Espécie de Coda</strong><br />
(<em>sob a leitura do romance &#8220;O valete de espadas&#8221;</em>)</p>
<p>Os homens de mil anos<br />
cá estamos,<br />
presos na vertical realidade<br />
a que ao bater o tempo o coração</p>
<p>nos impõe. E há em cada<br />
acordar esse estranho<br />
nascer, espécie de Coda,<br />
que já não mais sabemos<br />
desígnios e deveres<br />
dos homens,</p>
<p>nós,<br />
os homens de mil anos, afogados<br />
nesse então outro tempo.</p>
<p><strong>Soneto III do Livro de Cecília</strong><br />
(<em>sob a leitura de &#8220;Os peãs&#8221;</em>)</p>
<p>E me pedes o mundo de uma forma<br />
que é tão pura agonia: não há palavra<br />
que diga a ti o lírio nem poesia<br />
que mostre a ti a viva cor dos sinos,</p>
<p>das pálidas camélias, dos teus olhos<br />
verdes e desvairados para a vida<br />
e para a morte abertos, da tua boca<br />
aberta como um fôlego da alma.</p>
<p>Se ao sentido dar nome já faz pobre<br />
tudo o que aos olhos vige, quando o chão<br />
desaba de rangido em pedra, vão,</p>
<p>o chão dessa lacuna a preencher<br />
nas coisas ao redor, até o não ver<br />
é ser vago nos olhos que hoje não.</p>
]]></content:encoded>
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