Dois poemas para Gerardo Mello Mourão

Espécie de Coda
(sob a leitura do romance “O valete de espadas”)
Os homens de mil anos
cá estamos,
presos na vertical realidade
a que ao bater o tempo o coração
nos impõe. E há em cada
acordar esse estranho
nascer, espécie de Coda,
que já não mais sabemos
desígnios e deveres
dos homens,
nós,
os homens de mil anos, afogados
nesse então outro tempo.
Soneto III do Livro de [...]

Em memória de Bruno Tolentino

Escrevo esta memória: faço-a mundo
não como alguém que em lágrimas transcreve
a dor da perda, o amor ao que há pouco
ainda não era a fuga, nem a leve
passagem ao mistério, do habitante
da nossa teia física que finda
sempre contra a vontade diletante.
Não dou minha memória assim à vida,
porque essa, enquanto tua, não se deu
de encontro à minha. [...]