Alexei Bueno e o “mitômano” Bruno Tolentino
Postado em July 2, 2009
Categoria Bruno Tolentino, Literatura | 29 comentários
Houve há pouco tempo nos jornais um pequeno barulho de uma polêmica entre Caetano Veloso e Alexei Bueno, originada aqui, quanto ao recente livro “Uma história da poesia brasileira”, do Alexei, que havia declarado uma cumplicidade entre tropicalistas e concretistas como um “esquema de uma-mão-lava-a-outra”, no qual “os concretistas concediam aos tropicalistas uma certa aura erudita – da qual eles nunca precisaram – e recebiam em troca uma certa aura popular”. Caso o interesse, há aqui um texto do Leandro Jardim sobre.
“Era recomendável para os concretistas atirar para o território da canção, o que sempre chamaram, com ar de nojo, de ‘discurso’, essa coisa com a qual foi construída toda a grande literatura universal, de Homero a Guimarães. Podia até haver uma admiração mútua entre tropicalistas e concretistas, mas a afinidade estética era nenhuma. Eles eram a negação de qualquer oralidade, que é a base da canção.” (Alexei Bueno para O Globo, 09/01/2009)
Comprei o livro quando soube do trecho em que Alexei escreve sobre Bruno Tolentino, alcunhando-o “mitômano” e, entre outras coisas, o acusando de plágio. Obviamente que não gerou a mesma polêmica, não tendo o Bruno a legião de protetores que tem Caetano, prontos pra contra-atacar qualquer coisa dita sobre sua imagem. Somente ouvi sobre isso, e mesmo assim um breve comentário, na palestra do Pedro Sette Câmara em um modesto seminário sobre o Tolentino, organizado pelo IFE em junho do ano passado.
Não pretendo me manifestar quanto às opiniões do Alexei sobre a pessoa do Bruno, afinal não tive a oportunidade de conhecê-lo, falecido há quase exatos dois anos. Meu interesse é a publicação deste texto na rede, e a possível conseqüente manifestação daqueles que conviveram com o Tolentino. Pois, conhecendo minimamente sua biografia, percebo diversos equívocos e exageros sensacionalistas por parte do Alexei.
Segue o trecho, que começa na página 390 de “Uma história da poesia brasileira” (G. Ermakoff Casa Editorial, 2007).
Após um rumoroso processo pela publicação de um livro inteiramente plagiado, em 1957, Infinito Sul – cujo título era de Sílvio Castro e os poemas de Celina Ferreira, Walmir Ayala, Afonso Félix de Souza e outros – e a publicação de Anulação e outros reparos, em 1963, o poeta carioca Bruno Tolentino (1940-2007) se afastou por três décadas do Brasil, retornando em 1993. A sua volta marcou a entrada na cena literária nacional do maior mitômano nela aparecido pelo menos desde a chegada de Antônio Botto, o poeta português, muito amigo de Fernando Pessoa, que aqui desembarcou nos anos de 1950, casado, apesar dele mesmo se intitular “o primeiro paneleiro oficial de Portugal”, e distribuindo elogios bombásticos sobre a sua obra, assinados pelos maiores autores universais da época, mas todos escritos por ele mesmo. Em pouquíssimo tempo Tolentino declarou em público que fora casado com a filha de Bertrand Russell (que deveria ter idade para ser sua avó), com a neta de Rilke, com a neta de René Char, além de ter sido astrólogo em Los Angeles por doze anos, ter vivido uma década em Alexandria, ter trabalhado como genealogista na Inglaterra, ter sido secretário pessoal de Auden, ter dado aulas por onze anos na Universidade de Oxford, e finalmente, isso um pouco depois, ter sido encarcerado por tráfico de drogas na Ilha do Diabo, para nem falar da sua origem na alta aristocracia, na sua mansão familiar e suas preceptoras inglesas, tendo nascido, na verdade, na mais banal classe média tijucana, filho de militar, e tendo vivido a adolescência num pequeno apartamento do mesmo bairro e em Niterói. Só na terra onde foi escrito “O homem que sabia javanês” tal conjunto de afirmações seria deglutido naturalmente como o foi, inclusive pela grande imprensa. A mitomania em si não desqualifica qualquer artista, mesmo um homem de gênio como o cineasta Mário Peixoto tinha fortes traços mitômanos, e isso tudo serve apenas como um índice da impossibilidade de se conhecer a biografia de um indivíduo que, somados os eventos pública e notoriamente por ele narrados, deveria ter perto de trezentos anos de idade. Após manter uma ruidosa polêmica com os concretistas, justamente num dos melhores aspectos deles, a tradução de poesia, reestreou com As horas de Katharina, em 1994. Com Os sapos de ontem, de 1995, atacando novamente os concretistas paulistas, se revelou um satírico interessante. Os deuses de hoje, do mesmo ano, compunha-se de poemas políticos, justificados por uma falsíssima luta sua contra a ditadura militar – mais um falso exilado – e não alcançou maior repercussão. Seguiram-se A balada do cárcere, em 1996, O mundo como Idéia, de 2002, e A imitação do amanhecer, de 2006, escrito em pretensos alexandrinos que nunca o foram. Toda a poesia de Bruno Tolentino é vazada numa musicalidade característica, dominada por uma espécie de vício do enjambement que chega a criar poemas quase inteiros sem que uma oração termine no final de um verso. Essa espécie de “realejo de enjambements”, monocórdio ao extremo, perpassa por quase tudo o que escreveu, lançando mão de uma técnica bastante defeituosa: versos de pé-quebrado, especialmente pelo uso e abuso de ectlipses, elisões romanas e inúmeras rimas consoantes que não o são. Vez por outra, em meio dessa grafomania versificatória tediosa e obsessiva, espécie de música de feira, surge um grande momento lírico, que não salva o essencial vazio de fundo que domina o conjunto, sem se falar da total inadequação entre um periódico coloquialismo e o tom geralmente elevado do verso. A sua poesia, na verdade, e qualquer leitor médio o percebe, é conduzida pelas rimas e pelo ritmo, e não o contrário, como qualquer poesia digna desse nome. Verdadeiro personagem de romance, com um talento verbal e histriônico espantoso, mas de repertório curto, um dos fatos mais interessantes da sua imponderável biografia é ter voltado para o Brasil dizendo-se exilado da ditadura militar e trazendo mesmo um livro sobre o assunto, após o fracasso do qual terminou seus dias – há quem diga que não morreu, quem garanta que ele está vivo – venerado pela mais rançosa extrema direita nacional.
Texto enfastiado, se ocupa de desrecalcar ressentimentos pessoais pra no fim falar em tom de desprezo daquilo que a poesia do Bruno Tolentino simplesmente não é. A última frase é bem reveladora do nível do autor.
Marlon,
Conheço pouco a poesia do Bruno Tolentino,só o que dá para ler na internet, mas a descrição que Alexei Bueno faz da poesia dele teria atiçado a minha curiosidade, se já não o conhecesse, ainda que pouco:
“Tolentino é vazada numa musicalidade característica, dominada por uma espécie de vício do enjambement que chega a criar poemas quase inteiros sem que uma oração termine no final de um verso. Essa espécie de “realejo de enjambements”, monocórdio ao extremo, perpassa por quase tudo o que escreveu, lançando mão de uma técnica bastante defeituosa: versos de pé-quebrado, especialmente pelo uso e abuso de ectlipses, elisões romanas e inúmeras rimas consoantes que não o são.”
Gosto de poetas que conseguem desconstruir a métrica tradicional, o que a passagem de Bueno descreve, embora não tenha retomado o Tolentino para verificar o quanto a afirmativa procede. O mais curioso é que a poesia de Bueno e Tolentino se tocam em vários pontos, como na utilização de formas fixas e na apropriação da tradição, embora a poesia de Bueno no geral me pareça mais clara e bem resolvida, posto que às vezes sinto que em Tolentino o fio do discurso se enovela, causando confusão (no leitor, pelo menos).
Polêmicas à parte, ainda que pareça ser esse o objetivo de Bueno, ele anda dizendo algumas coisas interessantes por aí, como a necessidade de se repensar o modernismo brasileiro, que tem sido utilizado como diapasão para toda a literatura brasileira, anterior e posterior. De resto, não sei como a biografia de Tolentino(fantasiosa ou não)ou o fato de ele ser mitômano possa contribuir numa apreciação estética de sua obra.
Quanto à polêmica com Caetano, ele exagera na ideia de conluio. De fato, o apoio do concretismo serviu para dar algum prestígio acadêmico ao tropicalismo, assim como a obra dos tropicalistas serviu para “popularizar” (para um público universitário) algumas experiências concretistas. Mas não creio tratar-se de uma questão de simples oportunismo. O tropicalismo, desde suas primeiras manifestações antes mesmo que se firmasse como movimento, apropriava-se do discurso publicitário e de técnicas modernas como a montagem, além de promover a incorporação dos instrumentos elétricos, até então demonizados pelo pessoal da MPB. Acho natural que, partindo dessas premissas, o tropicalismo interessasse aos concretistas. Aliás, foram os concretistas que apresentaram a obra de Oswald de Andrade a Caetano, e a essa época o tropicalismo já existia como movimento, com diretrizes consolidadas. Se os concretos se interessavam por Oswald, por que não pelos tropicalistas, igualmente irreverentes, arcaicos e modernos ao mesmo tempo? Que ambos os lados tenham se beneficiado da aproximação, melhor ainda.
Além do que, o benefício que a aproximação com os concretistas trouxe para a obra de Caetano não se resume a marketing intelectual, mas teve consequências estéticas. Penso na impagável canção concretista feita com Gil, “Batmacumba”. Ou na forma como Caetano explora a palavra cantada em sua dimensão material no excelente “Jóia”, isso para não falar nas experiências canhestras do horrível “Araçá Azul”. Há também, em “Cinema transcendental”, a gravação em ritmo de bolero de um poema de John Donne traduzido por Augusto de Campos, chamada “Elegia”; simplesmente ótima! Também gosto de “Circuladô de fulô”, já do início da década de 90, que se trata da musicalização de um trecho do “Galáxias”, do Haroldão.
“A sua poesia, na verdade, e qualquer leitor médio o percebe, é conduzida pelas rimas e pelo ritmo, e não o contrário, como qualquer poesia digna desse nome.”
O que diabos o cara que conseguiu deixar um soneto com 13 versos na “organização” que fez da poesia de Jorge de Lima para a Nova Aguilar quis dizer?
A única importância desse texto é mostrar que mais uma vez Niterói se destaca como pólo formador da nata da intelectualidade brasileira.
Sem mais.
Nunca imaginei ler algo assim, sobre Tolentino, vindo de Alexei Bueno. Gosto de ambos e, como se disse num comentário, há de fato pontos de contato entre as duas poéticas. O texto se demora demais na “persona” literária de Tolentino que, posso concordar, precisa ser redimensionada e, talvez, tenha até feito mal à compreensão da própria obra. Mas não há, por exemplo, qualquer menção a aspectos filosóficos da poesia de Tolentino, como os tematizados em “O mundo como idéia”. Não se fala da presença e reelaboração de temas clássicos, como as da mitologia grega apropriados e retrabalhados na “Balada do cárcere”, por exemplo. E isso só para ficar em duas lembranças, que me ocorrem rapidamente. Por que terá sido o grande Alexei tão duro com uma voz que, até onde eu sei, foi-lhe tão receptiva em vida?! Compará-lo com António Botto!?
Wladimir, realmente o que quis Alexei foi atacar a persona literária do Bruno, e o que pouco falou da poesia o fez sem muito sentido e sem abrangência necessária da obra. Você tem razão ao falar desses dois livros e ainda acrescento outras duas obras-primas poético-filosóficas, “A imitação do amanhecer” e “As horas de Katharina”.
Pelo que já li do livro em questão do Alexei, ele quase nada comenta personas literárias ao longo dos autores da nossa poesia, correto. Se reserva à crítica literária com doses adequadas de impressionismo e é um bom livro. Na parte dedicada ao Bruno, o que se vê é somente o Alexei já preparado pra usá-la nesse viés pessoal.
Marlon, não tenho o livro, embora estava (e estou) disposto a adquiri-lo, porque achava (e acho) Alexei um poeta obrigatório. E o que você acrescenta agora, de suas leituras dessa obra, só aumenta a minha perplexidade… Não posso, infelizmente, atribuir tanta dureza senão a razões pessoais, para mim inimagináveis, pois sempre supus que os dois – Bueno e Tolentino – tivessem sido amigos, até o fim. Mas obrigado por responder ao comentário – gentileza a mais que tenho visto poucas vezes, na internet.
E, acrescendo: embora não tenha lido “A imitação do amanhecer”, li “As horas de katharina”, que tenho a honra de ter autografado por um Bruno Tolentino “falsário”, no melhor sentido que a palavra pode ter, que é o da reelaboração literária da tradição.
Como representante ou mesmo personificação integral e única da “mais rançosa extrema direita nacional”, quero deixar aqui duas observações sobre o trecho citado.
1) Desde logo, um sujeito capaz de escrever algo como “periódico coloquialismo” deveria abster-se de opinar sobre musicalidade na poesia ou mesmo na prosa. Não foi à toa que o Bruno Tolentino apelidou de Dislexei Bueno o cidadão que agora se imortaliza como inventor do estilo cocô-loquial.
2) Conheci bem o Bruno e sei que, quando havia idiotas presentes, ele gostava de deslumbrá-los com as lendas mais mirabolantes a respeito de si próprio, narradas num tom da maior seriedade. Uns acreditavam; outros, mais bobos ainda, mas imaginando-se espertos, acreditavam que ele acreditasse. Quando saíam, eu e ele ríamos a valer de uns e outros.
mais uma vez a biografia do poeta só serviu para desqualificá-lo. Em crítica era coisa que já deveria ter passado há muito, no entanto, ainda nos debatemos com essas coisas que nada acrescentam, como dizê-lo mitômano, etc. Li mais de um livro de Tolentino para saber que sua poesia não se ressente dessas falhas. É grande poesia. Guardemos nossos preconceitos para nós mesmos, separemos o homem da obra.
É realmente espantosa a capacidade da Inveja em obnubilar o Real. O pretensioso comentarista realmente leu Bruno Tolentino? O engôdo do concretismo é muito bem conhecido aqui em São Paulo.
Creio que, no mínimo, o comentarista deveria voltar a ler tanto Tolentino quanto os Campos.
Não me sinto capacitado para falar o que quer que seja sobre a obra de Bruno Tolentino, mas deixando de lado essas analises eruditas que este humilde amante da poesia não é capaz de realizar, será que escapa a todos, a grandeza do conteúdo que esta presente nos poemas de Bruno Tolentino. A arte não pode ser discutida somente em termos técnicos, isso seria resumi-la a um plano do qual toda a arte, só pelo fato de ser arte, teria por obrigação transcender.
Alexandre,
Talvez você não conheça a proposta dos blogs que compõem o Breviário, mas uma dos nossos intuitos é propor uma discussão sobre os fenômenos estéticos e, consequentemente, acabamos incorrendo em termos técnicos. Do contrário, ficaríamos apenas dizendo o quanto tal autor nos parece bom ou ruim, o que não tem nada de errado, apenas não é o nosso objetivo aqui. A “grandeza do conteúdo” dos poemas de Tolentino é discutível, como a grandeza de qualquer autor, por mais incensado que seja, é discutível. Muitas vezes, o que nos parece óbvio em determinada obra não o é para outros leitores, pois depende muito de critérios subjetivos. Além disso, uma obra de arte não depende apenas da grandeza de seu conteúdo, mas também do quanto esse conteúdo recebeu uma expressão adequada, o que passa pelo repertório técnico da poesia. Talvez para você não importem os detalhes técnicos (e você está no seu direito), mas certamente interessava para Bruno Tolentino, por isso as acusações de Bueno assumem uma gravidade que não teriam caso aquele se tratasse de um poeta desleixado com os aspectos formais de sua obra. De qualquer modo, para nós tais questões importam, e por isso as abordamos aqui. Não somos cegos quanto ao conteúdo da poesia de Tolentino, mas o nosso enfoque nesse caso foi outro.
Alexandre,
obrigado pelo comentário. Faço das palavras do Emmanuel as minhas.
Alexei quem?
Mas que droga de site é esse? Só se fala porcaria aqui,mas que falta de conteúdo!
Alexei deveria conter seu reto e correr até a privada antes de soltar toda essa diarréia para todos nós cheirar.
Então tente não se antecipar à crise diarréica evitando conjugar verbos.
Dislexei só poderia mesmo vir de um cara como o Tolentino. foi “pracabá” Até hoje o Alexei Bueno se ressente disso, basta vr o que escreve. Dislexei Bueno!!!!
Obrigado professor Olavo de Carvalho por nos lembrar do grande Bruno Tolentino em uma de suas multiplas facetas que foi destroçar esses recalcados de plantão.
Faço das palavras do Randolfo as minhas.
Quem fala é o Sérgio H. B. de Barros?
Tolentino era um brincalhão em relação à sua própria biografia. Conforme o prof. Olavo de Carvalho foi um dos maiores poetas de língua portuguesa, quase à altura de Camões.
Borges também brincava muito, mas nos seus próprios textos, criando livros, autores. E muitas vezes tais obras de ficção foram citadas por imbecis como se fossem verdadeiras…
Dislexei, quem?????
A julgar pelas bizonhas companhias com que andava o sepulto, a parte em que ele fala sobre ter sido Astrólogo deve ter lá um quê de verdade.
O crítico deveria já ter aprendido que direitistas não mentem jamais. Eles apenas fazem “brincadeiras” a respeito da própria biografia para auto-diversão. Gente perfeita esta.
Investigador de Personalidades.
Seu comentário traduz sua personalidade, “bicho bobo”.
Ah, pois sim? Então diga lá qual foi a tradução obtida, ó grande pensador? “Bicho-Bobo”? Use lá alguma coisa mais contundente. Que tal, seu filho de uma puta?
Saudades do Bruno! O Alexei o andou xeretando e tbm ganhou uma bolsica ‘básica’-uns eurozinhos- cá
em Portugal… Quanto rancor e inveja!
People deserve very good life time and credit loans or car loan would make it much better. Because freedom relies on money state.
É possível discutir as posições estéticas sem descambar para a agressão à pessoa? É um erro dialético primário fugir à discussão das idéias e se comprazer na desqualificação do interlocutor. Não se é obrigado a pensar ou concordar com o julgamento de valor de Alexei Bueno, mas este tem o pleno direito de expressar o seu pensamento. Não há o que guardar para si mesmo. Ou devemos reprimí-lo ao modo do mais exacerbado autoritarismo? Já tivemos disto em demasia! A polêmica (será mesmo uma polêmica?) desencadeada nos dá a rara oportunidade de reavaliarmos nossas convicções, de rever, com cuidado ainda maior, nossos juízos de valor. Iluminada e libertadora a consideração de Emmanuel: “a grandeza de qualquer autor, por mais incensado que seja, é discutível.” Ser-se-á apedrejado, mesmo simbolicamente, pelo desprezo ou desconsideração a algum autor elevado à condição de ícone por determinado grupo? A característica mais proeminente da unanimidade é a falsidade, o relaxamento da ética.